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RenovaBio

Marcos - | Informe SIFAEG, xTimeLine

O SIFAEG, sindicato que representa os produtores de etanol em Goiás, avalia que a aprovação e a implantação do RenovaBio se constituirão em incentivos relevantes para os biocombustíveis, permitindo o avanço das energias renováveis no Brasil.

O Projeto do RenovaBio, que está sendo apreciado hoje, no plenário da Câmara dos Deputados, representa um compromisso com o desenvolvimento de iniciativas de sustentabilidade e preservação ambiental, fundamentais para o cumprimento até 2030, das metas firmadas no Acordo de Paris. Metas que foram inclusive ratificadas pelo governo brasileiro.

O SIFAEG apoia e entende a iniciativa como um impulso relevante ao desenvolvimento da produção de biocombustíveis no Brasil, e defende que metas para elevação do uso de combustíveis que não sejam fósseis sejam determinadas a partir dos compromissos de descarbonização assumidos pelo país.

Importante ressaltar que, o RenovaBio  estimula a eficiência da produção, com ganhos de produtividade e ainda valoriza os biocombustíveis nacionais, dando previsibilidade à segurança energética e assegurando investimentos em inovação tecnológica. Além disso, a nova realidade que virá com o Programa em vigência, irá permitir a interiorização do desenvolvimento e a tão urgente retomada de investimentos no setor, com geração de emprego e renda.

Neste cenário, o RenovaBio ainda trará benefícios para o meio ambiente e para a saúde pública, pois ajudará a diminuir a emissão de gás carbônico. O Projeto não é uma renúncia fiscal e nem tão pouco uma política de subsídios e não prevê a criação de novos impostos.

RenovaBio – Compromisso com melhores tempos para o Brasil, com mais energia limpa e renovável!

SIFAEG – Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás

Câmara aprova regime de urgência para RenovaBio

Marcos - | Informe SIFAEG, xTimeLine

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira, dia 22, a tramitação em regime de urgência para acelerar o trâmite de aprovação do Projeto de Lei nº 9086/2017 que cria o programa RenovaBio.  O deputado federal Evandro Gussi (PV-SP) foi o autor do pedido que teve  299 votos favoráveis, nove contrários e uma abstenção. Com isso, o PL passa a ser prioridade entre as pauta a serem analisadas em plenário.

O RenovaBio é considerado fundamental para que haja a retomada de investimentos na indústria de biocombustíveis e também criará condições para que o Brasil possa cumprir as metas de “descarbonização” assumidas no Acordo de Paris.

Além de proporcionar a melhoria da poluição atmosférica nas grandes cidades, evitando a emissão de aproximadamente 571 milhões de toneladas de CO2, volume equivalente a três vezes o total emitido pelo desmatamento de florestas no País de 2014 a 2030, os investimentos somente na cadeia produtiva do etanol, que atualmente emprega cerca de 1 milhão de pessoas, poderão gerar mais 750 mil empregos.

    Sifaeg

16ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol acontece em outubro em SP

Marcos - | Informe SIFAEG, xTimeLine

Com o tema “Um novo mundo à frente”, a 16ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol acontece nos dias 17 e 18 de outubro de 2016, no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo. O foco, deste ano, será debater o atual cenário do mercado de etanol e também temas-chaves relacionados ao setor sucroenergético brasileiro mundial.

A Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol é um dos mais importantes eventos do calendário mundial do açúcar e etanol. O objetivo é valorizar um conteúdo de qualidade, disseminar conhecimento e novas tecnologias e estimular networking entre os participantes.

Entre os principais temas que serão discutidos estão a avaliação da safra 16/17 e perspectivas para o futuro, a oferta marginal de açúcar, o ciclo de preços, promoção comercial, combustíveis, competitividade e tecnologia.  Alguns palestrantes já confirmados são Rubens Barbosa, do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Renato Pontes Cunhas, Presidente Sindaçucar, André Rocha, Presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, Elizabeth Farina, Presidente da UNICA, Mario Campos Filho, Presidente SIAMIG, Miguel Rubens Tranin, presidente ALCOPAR e Roberto Hollanda Filho, presidente BIOSUL.

Com tradução simultânea para o Inglês, Português e Espanhol, a conferência vai receber diversos palestrantes e participantes de outros países. Entre os convidados estão: Singapura, Inglaterra, Estados Unidos e França.

A 15ª Conferência Internacional contou com a presença de mais de 650 participantes de 33 países e 49 palestrantes que juntos debateram em dois dias como superar desafios e aproveitar as oportunidades do mercado sucroenergético brasileiro e internacional.

  Mais informações: http://www.conferenciadatagro.com.br/

Abertura da Safra do Nordeste acontece junto com evento “O Futuro Que Queremos”

Marcos - | Informe SIFAEG, xTimeLine

O evento acontecerá na semana de Abertura da Safra, contará com palestras sobre os mais importantes assuntos da cadeia produtiva, dos setores de produção, comércio internacional, bancos e distribuição e revenda de combustíveis inclusive os fornecedores de cana da região, possibilitando uma última avaliação conjunta do setor sobre a safra, o mercado, a regulação e as perspectivas futuras.

17/08/2016 – João Pessoa – Paraíba

Programação:

16:00 h Reunião do Fórum Nacional Sucroenergético

20:00 h Abertura Oficial – Membros do Fórum Nacional Sucroenergético, Solenidade com Convidados de Honra: Ministro das Minas e Energia Fernando Bezerra Coelho Filho, Ministro da Agricultura Blairo Maggi, Governador Ricardo Coutinho,Diretor de Abastecimento da ANP, Aurélio do Amaral, Parlamentares de Estados da Região Nordeste, Secretários de Estado da Agropecuária, Receita e Desenvolvimento Indústria e Comércio;

Dia 18/08

8:30 h – O Futuro que fazemos hoje – Alexandre Figliolino – Diágnóstico Atual Mediadores; André Rocha, Antônio de Pádua Rodrigues. Produtores: Rui Chammas Biosev, Pedro Mizutani, Alexandre Meirelles;

10:00 h – O Setor Sucroenergético e a Sustentação Econômica – Mediadores: Mário Campos e Elisabeth Farina Produtores: Gilvan Celso Cavalcanti de Morais Sobrinho Miriri S.A., Luiz Roberto Pogeti – Copersucar, Jucelino Oliveira de Souza, Usina Coruripe, Enrico Biancheri – Biosev;

11:30 h Compreendendo melhor o Setor Sucroenergético Mundial – Palestrantes: Plínio Nastari, Renato Cunha, Pedro Robério e Edmundo Barbosa

SINDALCOOL-Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool do Estado da Paraíba Inscreva-se já: https://goo.gl/JXRsE9

Movida a etanol, Fórmula Inter alia performance com sustentabilidade

Marcos - | Informe SIFAEG, xTimeLine

Além de promover o talento de 22 pilotos brasileiros, entre iniciantes e amadores, a recém-criada Fórmula Inter pode ser considerada uma das mais inovadoras categorias do automobilismo brasileiro por adotar tecnologias desenvolvidas no País em monopostos de corrida, todos abastecidos com etanol de cana.

Para divulgar a competição, que terá todas as suas 11 etapas transmitidas pelo canal Band Sports e fará parte do Campeonato Paulista de Automobilismo, será realizado o The Victory Day. O evento acontecerá nos dias 18, 19 e 20 de julho, no Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo em Piracicaba (SP), e terá diversas atividades práticas e teóricas para que equipes, carros e pilotos sejam certificados para a prova. Nesta ação, a União da indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) será fornecedora oficial de etanol, que em comparação com a gasolina, aumenta a potência do motor e ainda reduz em até 90% as emissões de CO2.

A presidente da UNICA, Elizabeth Farina, acredita que a Fórmula Inter, a exemplo da categoria americana Fórmula Indy, que também usa o mesmo combustível renovável, pode se tornar uma importante plataforma de desenvolvimento tecnológico e marketing para a indústria automotiva de baixo carbono no Brasil, principalmente no segmento esportivo.

“Usar o biocombustível brasileiro em veículos de alta potência fabricado quase que inteiramente no País faz todo o sentido, não apenas pelo fato de produzirmos o etanol mais eficiente e sustentável do mundo, mas também porque a indústria da cana traz enorme prosperidade socioeconômica à nação”, afirma a presidente da UNICA, destacando que, sendo a primeira fonte de energia renovável do Brasil, a cadeia sucroenergética gera mais um milhão de empregos diretos e movimenta um valor bruto que supera os US$ 100 bilhões anualmente.

Para o diretor da Fórmula Inter, Marcos Galassi, a opção pelo etanol está alinhada com as soluções ambientais no segmento de transportes e atende os requisitos de alta performance exigidos pelos amantes de esporte a motor. “A categoria traz uma série de inovações e uma delas, que na realidade já deveria ser uma prática no mundo do automobilismo, é a utilização de energia renovável. Para uma categoria que está surgindo, com uma academia de novos pilotos, é marcante nascer com o DNA dos combustíveis do futuro”, ressalta.

Categoria inovadora

Com um nome que faz referência a um dos circuitos mais famosos do mundo – Interlagos –, a Fórmula Inter é uma modalidade que abre espaço para todos os públicos interessados no esporte, como de pilotos amadores, os que ainda precisam de mais experiência antes de encarar categorias internacionais e até mesmo os egressos do Kart. Desta forma, adotou-se o modelo “seat and drive”, ou seja, o piloto paga pelo aluguel do equipamento e dos serviços, e ao chegar à pista para competir encontra o carro pronto para “sentar e pilotar”. O valor para a locação por prova é de R$ 13.990,00.

Todos os carros usados pelos competidores serão iguais. O modelo F-Inter MG-15, construído com 95% dos componentes desenvolvidos na própria fábrica da Fórmula Inter, localizada próximo ao autódromo de Interlagos, foi concebido pelo engenheiro e mecânico automotivo José Minelli, especialista com mais de 45 anos de experiência no automobilismo nacional.

O monoposto incorpora os mesmos softwares utilizados pelos principais fabricantes de veículos de competição em todo o mundo, além de possuir os mais resistentes e avançados materiais para segurança, performance e competitividade. Além da UNICA, que fornecerá o biocombustível durante o The Victory Day, apoiam e patrocinam a Fórmula Inter as empresas Bosch, Sparco, Pirelli e Relógios Lapizta. Para mais informações, acesse http://formulainter.wix.com/formulainter

    Unica

Atualização de safra 2016/2017 – 2ª quinzena de maio

Marcos - | Informe SIFAEG, xTimeLine

As Produção sucroenergéticaunidades produtoras da região Centro-Sul processaram 32,43 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na 2ª quinzena de maio de 2016 – queda de 19,98% sobre o valor registrado em igual data do último ano. A produção de açúcar nesta quinzena somou 1,68 milhão de toneladas (-14,94%) e o volume fabricado de etanol atingiu 1,44 bilhão de litros (-17,31%), sendo 573,79 milhões de litros de etanol anidro e 870,65 milhões de litros de etanol hidratado.

A redução da moagem nesta quinzena – em relação ao mesmo período da safra passada e também quando comparada à 1ª metade de maio – deve-se às fortes chuvas que atingiram principalmente os canaviais do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Apenas Goiás e Mato Grosso apresentaram um incremento na quantidade de cana processada.

Espera-se um novo recuo da moagem para a 1ª quinzena de junho, pois as chuvas desse período foram ainda maiores do que aquelas observadas nos últimos 15 dias de maio.

As geadas ocorridas ao final da 1ª metade de junho atingiram importantes regiões canavieiras do sul de Mato Grosso do Sul e nos Estados do Paraná e de São Paulo (com maior incidência em Ourinhos e Assis). O fenômeno afetou especialmente áreas de baixadas, várzeas e de lavouras já colhidas por conta da palhada da cana-de-açúcar. Houve também registros de danos à gema apical, o que pode comprometer o crescimento e a brotação da planta. Os reais impactos desta geada serão quantificados ao longo dos próximos 10 dias.

Como reflexo destas intempéries climáticas (chuvas intensas e geada), considera-se que o avanço até a posição de 15 de maio da safra 2016/2017, superior em cerca de 30 milhões de toneladas ao valor apurado para o mesmo período do ciclo 2015/2016, deve ser praticamente neutralizado pelos resultados das duas quinzenas subsequentes (isto é, últimos 15 dias de maio e 1ª metade de junho).

No acumulado de 1º de abril até 1º de junho, o volume processado de cana-de-açúcar alcançou 140,97 milhões de toneladas, com a produção de 6,99 milhões de toneladas de açúcar, 2,15 bilhões de litros de etanol anidro e 3,68 bilhões de litros de etanol hidratado.

Até 1º de junho, 262 unidades produtoras encontravam-se em operação na região Centro-Sul, sendo que 5 delas iniciaram a safra ao longo da 2ª metade de maio.

A proporção de matéria-prima direcionada à produção de etanol totalizou 58,23% nos 15 dias finais de maio (versus 58,85% na mesma quinzena de 2015). No acumulado, esta proporção alcançou 57,46%.

Em maio, as vendas de etanol hidratado ao mercado doméstico pelas unidades do Centro-Sul somaram 1,34 bilhão de litros (dos quais 731,32 milhões de litros referentes apenas à última quinzena do mês). Esse volume é 12,84% superior àquele contabilizado em abril (1,19 bilhão de litros), evidenciando a recuperação das vendas do biocombustível.

Unica

Expansão da cana aumentou PIB municipal per capita na região Centro-Sul

Marcos - | Informe SIFAEG, xTimeLine

O crescimCANAento acelerado da produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol entre os anos 2000 e 2008 no Centro-Sul brasileiro aumentou em pelo menos R$ 1.000 o produto interno bruto (PIB) per capita médio dos municípios da região, referente à soma dos bens e serviços produzidos divididos pela população local.

A informação é de um estudo de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL), apoiado pela FAPESP e publicado no periódico científico internacional Biomass and Bioenergy.

O trabalho focou na indústria dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, além do Distrito Federal, cuja produção representa aproximadamente 84% da nacional.

“O Brasil é um país de dimensões continentais cujas condições socioeconômicas variam consideravelmente entre as suas regiões geográficas. A maioria dos estudos sobre os efeitos da indústria da cana tem se concentrado no Estado de São Paulo, mas, para uma avaliação mais abrangente, é essencial expandir essa análise às outras regiões do país, contemplando estados menos industrializados”, disse Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, do Departamento de Economia, Sociologia e Administração da Esalq-USP.

A partir do ano 2000, impulsionada pelas demandas dos mercados interno e externo, iniciou-se uma aceleração acentuada da taxa de crescimento da indústria da cana-de-açúcar no Brasil, cuja produção cresceu 124,6% até 2008, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentados no estudo. A quantidade de terras dedicadas ao cultivo também teve acréscimo no período, de 68,2%.

Isso, dizem os pesquisadores, levou à construção de novas usinas e ao aumento das exportações de açúcar e etanol, que cresceram 199,4% e 2152,3%, respectivamente.

De acordo com o estudo, as exportações brasileiras de açúcar aumentaram de cerca de 6,5 milhões de toneladas (mt) em 2000 para 19,4 mt em 2008. De forma ainda mais intensa, no mesmo período, as exportações de etanol aumentaram de cerca de 0,22 hectômetro cúbico (hm3) para 5,11 hm3. Por conta disso, os ganhos cambiais da exportação de açúcar e álcool foram de US$ 31 bilhões e US$ 7,18 bilhões, respectivamente, fazendo com que ambos, juntos, representassem 10,4% das exportações de todo o setor do agronegócio brasileiro (8,5% para o açúcar e 1,9% para o etanol).

Os dados são algumas das variáveis que compuseram o modelo econométrico com o qual os pesquisadores trabalharam para obter os impactos do setor no PIB municipal. O modelo, denominado espacial dinâmico por considerar os efeitos temporais e regionais dos processos avaliados, foi adaptado à realidade do setor sucroenergético da região. Ele abrange variáveis ligadas à produção de açúcar e álcool – como a proporção da área agrícola, o papel da cana em relação a outras culturas e a presença de usinas, entre outras – e outras variáveis não diretamente relacionadas, mas que impactam no PIB, como, por exemplo, a renda média dos trabalhadores.

Foram considerados dados de todos os 2.363 municípios dos estados estudados, obtidos de fontes como o IBGE e a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Previdência Social, entre outras. A composição do banco de dados e as estimativas foram realizadas por Luiz Fernando Satolo e supervisionadas por Moraes no âmbito da bolsa de pós-doutorado apoiada pela FAPESP – “Efeitos da expansão do setor sucroenergético sobre o PIB per capita municipal: modelos, métodos e contrafactuais”.

Os resultados do estudo também indicam que a produção de cana-de-açúcar e a existência de usinas de açúcar e de etanol têm impacto positivo sobre o PIB médio per capita não só dos municípios onde estão localizadas, mas também nos 15 municípios mais próximos.

“Em um cenário de 10% de aumento da área de cana-de-açúcar, observou-se que o PIB médio per capita cresceu US$ 76. A existência de uma planta de etanol no município eleva o PIB médio per capita no ano de instalação da usina em US$ 1.098, enquanto o dos 15 municípios mais próximos têm acréscimo médio de US$ 475. Os efeitos positivos também são observados ao longo do tempo. Por exemplo, após 10 anos de instalação da planta de açúcar ou de etanol, o aumento no PIB médio per capita é de US$ 1.028 no próprio município e de US$ 324 para os 15 municípios mais próximos”, disse Moraes.

Os pesquisadores concluem que a produção em larga escala de etanol e de açúcar a partir de cana-de-açúcar no Brasil tem efeitos socioeconômicos positivos na região Centro-Sul, percebidos pelo aumento do PIB municipal per capita médio. Para Moraes, “os resultados do estudo podem auxiliar no desenho da política energética brasileira, visto que, além dos impactos ambientais positivos da produção de etanol de cana, é importante considerar os efeitos positivos ao desenvolvimento regional”.

Apesar da crise pós-2009, as exportações de açúcar e etanol ainda são relevantes para o agronegócio brasileiro. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as exportações no setor totalizaram US$ 99,97 bilhões em 2013, dos quais a indústria da cana foi responsável por 13,70%, compreendendo as exportações de açúcar (US$ 11,84 bi) e de etanol (US$ 1,86 bi), destaca o estudo.

“Os resultados do modelo sugerem que, no sentido oposto, uma redução no número de usinas e uma retração da área de cana-de-açúcar poderiam ter impactos negativos, causando um efeito contrário do que foi observado no PIB municipal per capita”, disse Moraes.

O artigo Accelerated growth of the sugarcane, sugar, and ethanol sectors in Brazil (2000 – 2008): Effects on municipal gross domestic product per capita in the south-central region (doi:10.1016/j.biombioe.2016.05.004), de Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes e Mírian Rumenos Piedade Bacchi, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq-USP, e Carlos Eduardo Caldarelli, do Departamento de Economia da UEL, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0961953416301489

  Agência FAPESP

Pesquisa viabiliza produção de biofertilizantes para cana e milho

Marcos - | Informe SIFAEG, xTimeLine

Os produtores de cana-de-açúcar têm uma nova perspectiva para aumento da produtividade e fertilidade dos solos. Um estudo da Embrapa Agrobiologia (RJ) conseguiu reduzir em 66% o custo de produção do inoculante, fertilizante biológico produzido a partir de bactérias, desenvolvido em laboratório, tornando viável sua fabricação em escala industrial. De acordo com o pesquisador Luís Henrique Soares, com a simplificação do processo, foi possível reduzir de dez para quatro as substâncias químicas utilizadas para multiplicação da bactéria Azospirilum amazonense, que compõe o inoculante da cana-de-açúcar. “Hoje temos a bactéria e todo o processo de produção otimizado para oferecer à indústria”, diz.

A pesquisa também otimizou o processo de fabricação do inoculante de milho, recém-desenvolvido pelo mesmo centro de pesquisa. Após esses estudos, o custo de produção foi barateado em aproximadamente 50%, e o produto já está sendo alvo de negociação com indústrias para em breve será disponibilizado ao mercado. O biofertilizante, que contém uma estirpe da bactéria Herbaspirillum seropedicae, aumenta a produção da planta. Mas estudos mostram que ele também pode contribuir para uma maior eficiência do fertilizante nitrogenado, permitindo a redução da dose aplicada.

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. Em 2015, a produção foi de aproximadamente 755 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Só essa cultura consome anualmente 570 mil toneladas de nitrogênio na forma de fertilizante. Já a produção nacional de milho foi de 85 milhões de toneladas, com uma área plantada em torno de 15 milhões de hectares.

Juntas, as lavouras da cana-de-açúcar e milho são responsáveis pelo consumo de cerca de 70% do fertilizante nitrogenado utilizado no País. O uso de inoculantes nessas culturas pode significar maior produtividade e economia para o agricultor, que reduz os gastos com insumos. Além disso, o biofertilizante promove uma maior sustentabilidade ambiental. Menos fertilizante nitrogenado no campo significa menor poluição ambiental e menor emissão de gases de efeito estufa.

Desafio da produção em escala industrial

A produção do inoculante envolve uma cadeia que vai desde a identificação e validação do microrganismo pelos cientistas até a fabricação do produto em grande escala nas indústrias. Porém, nem sempre é viável reproduzir na fábrica o processo desenvolvido pela pesquisa. “Os meios de isolamento, caracterização e cultivo nos laboratórios são complexos, ricos e caros. E, quando tentamos transpor para a indústria, é preciso simplificar”, explica Soares.

Os meios de isolamento utilizados em laboratórios de pesquisa em geral têm múltiplas fontes de carbono, nitrogênio, uma série de vitaminas e outros compostos para fazer com que a bactéria, que originalmente vive nos tecidos da planta ou na rizosfera, multiplique-se. Mas a indústria busca meios simples, de preferência com apenas uma fonte de carbono, uma de nitrogênio, poucos sais e que ainda potencialize o crescimento do microrganismo, reduzindo as possibilidades de contaminação.

As fábricas de inoculantes buscam utilizar insumos baratos como, por exemplo, os subprodutos da agropecuária em geral, como farelos, resíduos, extratos de cana, extratos de indústria cervejeira que normalmente seriam descartados e que são relativamente baratos. “Encher um fermentador com dois mil litros de um meio caro inviabiliza a produção, pois o risco de contaminação não pode ser descartado”, relata o pesquisador da Embrapa.

A engenheira-agrônoma Cibele Medeiros, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da indústria de inoculantes Bio Soja, aponta a contaminação como o maior risco no processo de fabricação desse biofertilizante. Por isso, ela considera a otimização do processo de produção fundamental. “É por meio de um processo eficiente que obtemos os melhores resultados, como um alto rendimento e a redução de custos”, complementa.

A representante da indústria salienta que para se adaptar a um determinado processo de produção, é necessário tempo e investimento. “Quanto mais próximos da realidade da indústria forem os processos, maiores serão as chances de parceria entre a pesquisa e a indústria”, comenta Cibele.

Desvendando os segredos dos microrganismos

Para chegar à formulação otimizada, os pesquisadores estudaram a fisiologia dos microrganismos. “Procuramos saber como eles aproveitam determinados compostos e fomos analisando uma série de parâmetros, como crescimento e taxas de conversão, ou seja, como utilizam os nutrientes e transformam tudo em biomassa de bactérias (células que vão compor o inoculante)”, relata Luís Henrique Soares.

Durante o estudo, os pesquisadores foram variando os compostos até chegar a uma composição ideal do meio. “Pegamos o meio original e testamos com diferentes concentrações e avaliamos estatisticamente os resultados. Analisamos em pequena escala e depois vamos para a simulação industrial até chegarmos o mais próximo possível da situação real da fábrica”, explica o cientista da Embrapa.

Esse mesmo processo que foi simplificado pode vir a ser utilizado para outros inoculantes. Isto abre uma perspectiva de simplificação industrial para os produtos que já estão no mercado e para aqueles que ainda estão sendo desenvolvidos pelos pesquisadores nos laboratórios.

Segundo a Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII), por ano, são comercializados aproximadamente 40 milhões de doses de inoculantes no Brasil. Deste total, 34 milhões de doses são para a cultura da soja e outros dois milhões para gramíneas (entre elas o milho e o trigo), enquanto para a cana-de-açúcar ainda não há inoculante disponível no mercado.

Embrapa Agrobiologia