Entrevista André Rocha, presidente-executivo do Sifaeg/Sifaçúcar e do Fórum Nacional Sucroenergético

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 Fórum Sucroenergético terá papel estratégico

 POSSE - foto Jeronimo Castro - (189)

Presidente-executivo dos sindicatos da Indústria de Fabricação de Etanol e Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar) e do Fórum Nacional Sucroenergético, André Luiz Baptista Lins Rocha é formado em engenharia civil, foi presidente da Companhia Energética de Goiás (Celg) e diretor comercial da A.M. Engenharia e Construção Ltda; é o 1º Tesoureiro da Federação da Indústria do Estado de Goiás (Fieg) e coordenador do Grupo de Líderes empresariais (LIDE) em Goiás. Desenvolveu, também, diversas atividades na área de engenharia e na administração pública.

 O que representa para Goiás sua eleição para a presidência do Fórum Nacional Sucroenergético?

É uma maneira de valorizar o nosso Estado, onde o setor sucroenergético tem crescido substancialmente. Nós hoje somos o segundo produtor nacional de cana-de-açúcar, o segundo produtor de etanol e o segundo produtor de energia a partir da cogeração do bagaço e da palha. Ou seja, é um reconhecimento da produção do nosso Estado e também do fato de que aqui é a grande fronteira de expansão do setor.

O Fórum já existia, mas era uma entidade informal. O que muda com a sua recente criação formal?

Sim, porém ele não tinha personalidade jurídica. E agora que ele está formalizado, ele, de fato e de direito, será o principal interlocutor do setor com a sociedade. Essa é a grande mudança.

O Fórum pretende se tornar o canal de comunicação nacional do setor sucroenergético com o governo federal e os governos estaduais para discutir os assuntos estratégicos?

Com certeza. Lógico, respeitando as particularidades de cada entidade com o Fórum e, ao mesmo tempo, aproveitando a sinergia dessas entidades e os esforços individuais de cada uma, mas visando um esforço coletivo em prol do bem comum.

 Então ele tende a assumir o papel de articulador nacional, já que a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) tem sua atuação mais focada na região Centro-Sul?

Esse é o desafio do Fórum. Ele não só pode como deve assumir esse papel. Vamos trabalhar para isso.

 Quais serão os seus principais desafios à frente da entidade?

Nesse primeiro momento vamos apresentar o Fórum para a sociedade, vamos trabalhar no sentido não só de conquistar espaço, mas também de poder nos posicionar com o executivo federal e com o legislativo em projetos que visem melhorar a competitividade do setor.

 O Fórum também vai ajudar na abertura de mercados internacionais para o etanol Brasileiro?

Sim. Esse papel, atualmente, é muito bem feito pela Unica e o nosso interesse não é sobrepor a ação de nenhum dos nossos associados, muito pelo contrário. Queremos aproveitar a expertise dos nossos associados, a estrutura que eles têm e o apoio político que cada um pode movimentar e somar esforços para todos.

 Será buscada alguma tratativa com o governo para que não haja problemas de desabastecimento na entressafra, este ano?

De certa forma isso já vem ocorrendo desde que tivemos aquela crise de abastecimento no início de 2011. A chave de monitoramento do etanol, que virou uma mesa tripartite, passou a ter uma atuação mais constante. Em alguns períodos quinzenalmente e, em outros, mensalmente. Então isso tem sido feito de forma sistemática e hoje estamos muito tranqüilos em relação ao que já foi produzido até agora e as perspectivas em relação à demanda que estamos apresentando. Nós não temos essa preocupação em relação à falta de produto na entressafra. Como a ANP passou a assumir essa postura de reguladora, criando os contratos de compra de anidro e estabelecendo a obrigatoriedade de níveis de estoque de passagem, isso deu maior segurança ao mercado.

Como é feito esse monitoramentos dos estoques de etanol?

A ANP recebe as informações tanto dos produtores, do que está sendo produzido, quanto dos distribuidores, sobre o que está sendo vendido. A mesa tripartite, a que me referi, que antes era chamada sala do etanol, cuida disso. Participam o governo, por meio de vários ministérios: como Minas e Energia, Agricultura, Desenvolvimento Indústria e Comércio e Fazenda, além da ANP, Petrobras, Sindicom, que reúne as maiores distribuidoras, o Fórum Nacional Sucrorenergético e, eventualmente, o Brasicom. A Câmara Setorial está dentro do Ministério da Agricultura, é uma mesa mais específica, que visa o abastecimento. Ela envolve distribuidores de cana, por exemplo, mas não envolve distribuidoras, ou seja, há uma diferença nos papéis.

 E em relação à consolidação da bioeletricidade no País. O Fórum Nacional Sucroenergético terá alguma linha de trabalho específica para ser trabalhada nesse primeiro momento?

 Quando nós tratamos com o governo sobre competitividade do setor, a bioeletricidade é uma boa alternativa para conseguir isso. Com certeza está na nossa pauta e esperamos uma boa interlocução com o governo para conseguir essa valorização também, pois é uma maneira não só de promover o setor, mas também uma energia limpa e renovável, o que, infelizmente, não tem ocorrido nos últimos anos no País.

Que dificuldades específicas os produtores do setor sucroenergético nordestino enfrentam e como elas podem ser resolvidas?

De maneira geral o setor enfrenta muitas dificuldades e problemas de competitividade, sobretudo em função da política que o governo fez em relação à formação do preço da gasolina. Os produtores nordestinos também se depararam com perdas de produtividade em virtude de secas que ocorreram nos últimos anos, mas isso também ocorreu em outros Estados, como o Paraná e até em Goiás, tendo sido mais grave nas duas primeiras regiões.

Como está o andamento da safra em Goiás, até esse momento?

A safra está boa, em termos de produção. O clima tem sido favorável. Houve algumas chuvas, mas não atrapalharam, pelo contrário, vão até aumentar a produtividade. O desafio agora é saber se nós vamos conseguir colher tudo aquilo que está plantado, em virtude do comportamento das chuvas no final da primavera e início do verão.

 E quanto à situação de dificuldade enfrentada por empresas fornecedoras do setor sucroenergético, principalmente as instaladas em Sertãozinho, há perspectivas de melhora da situação?

Nós esperamos essa melhora, porque isso significa que o setor melhorou, que ele voltou a comprar e a fazer encomendas. Na realidade, a expectativa nossa é que o governo tome medidas que visem restabelecer a competitividade do setor para que os empresários possam voltar a fazer investimentos. Esse, infelizmente, não é o cenário que nós temos hoje, por falta de segurança e de transparência na formação do preço da gasolina e da falta de uma política do governo que estabeleça qual o papel do etanol na nossa matriz energética. Em função de tudo isso, não temos novos investimentos e, com isso, as empresas dos polos de Sertãozinho e Piracicaba estão passando por todas essas dificuldades. É uma pena, pois trata-se de uma indústria nacional, que gera muitos empregos e passa por todas essas dificuldades.

A usina Santa Helena, localizada no município que tem o mesmo nome, no Estado de Goiás, volta a produzir depois de um período de suspensão das atividades. Qual a importância da reintrodução dessa unidade no cenário produtivo?

Nós torcemos muito pelo sucesso da empresa e ficamos felizes com o retorno às atividades de forma plena. Esperamos que ela possa conseguir não só fazer uma boa safra, mas voltar a produzir e gerar empregos para a região, que conta muito com isso. Para o setor sucroenergético trata-se de uma empresa emblemática, pois é uma usina tradicional, a primeira da região Centro-Oeste do Brasil, e temos toda a expectativa que ela possa voltar a ter o seu papel relevante na produção do Estado.

A elevação constante do dólar nos últimos meses afeta o setor sucroenergético?

Depende. Quando o dólar aumenta, isso favorece as exportações, sobretudo do etanol, pois pode criar uma janela de oportunidades, mas ao mesmo tempo preocupa quando você observa algumas empresas que têm endividamento em dólar e vivem dificuldades em função disso.

E no caso do açúcar, que não está num bom momento de mercado, está havendo uma compensação?

O açúcar vive um problema que é reflexo de muita oferta em razão do preço que ficou muito atrativo nas últimas safras. Com isso, outros países aumentaram a produção, a exemplo da Rússia e Tailândia, o que deixou os preços pouco atrativos. Mas com a diminuição da produção de açúcar este ano no Brasil, o produto deve começar a recuperar preço, talvez já no fim dessa safra, e o aumento do dólar, por esse lado, acaba ajudando um pouco.

 *Entrevista concedida ao jornalista Evandro Bittencourt- Editor do Canal-Jornal da Bioenergia.

Presidente do Sifaeg participa de missão técnica na Austrália

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O presidente-executivo do Sifaeg/Sifaçúcar está nacanavial_cruz Austrália participando de uma missão técnica que segue até dia 03 de setembro. André Rocha integra uma comitiva de empresários e lideranças do setor canavieiro e também de técnicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). O grupo está conhecendo o sistema de produção, pesquisa e logística da cana-de-açúcar na Austrália. A agroindústria canavieira da Austrália está concentrada em Queensland. O cultivo da cana de açúcar é caracterizado, basicamente, pelas pequenas propriedades e pela alta produtividade. Na Austrália, as usinas não possuem produção própria de cana-de-açúcar. Desde 1979 a colheita de cana naquele país é 100% mecanizada.

 Na programação da viagem a comitiva verá detalhes do plantio, colheita, transporte e irrigação através de visitas ao Centro de Pesquisas Experimentais de Açúcar, em Mackay. Os técnicos, executivos e produtores terão ainda a oportunidade de conhecer as maiores plantações de cana-de-açúcar da Austrália, localizadas em Townsville.

 André Rocha e os demais integrantes da comitiva vão também visitar a segunda maior instalação de armazenamento de açúcar do mundo, em Slade Point (Península de Queesland). Conhecerão também Airlie Beach e a região de Burdekin, onde as plantações de cana-de-açúcar utilizam irrigação.

André Rocha é eleito presidente do Fórum Nacional Sucroenergético

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André Rocha

André Rocha

André Rocha, presidente-executivo dos Sindicatos da Indústria de Fabricação de Açúcar e de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar) foi eleito presidente do Fórum Nacional Sucroenergético.

O Fórum é uma entidade, com sede em Brasília, que atua na defesa do setor sucroenergético. Ao todo, representantes de entidades de 15 estados produtores de etanol, açúcar e bioeletricidade participam do Forum. Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco, foi eleito vice-presidente do Fórum.

   

Palestra André Rocha em Londres

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André Rocha em Londres

André Rocha em Londres

O presente e futuro do açúcar e etanol brasileiro foram discutidos em Londres durante o 2nd Sugar & Ethanol Summit – Brazil Day. Organizado em conjunto pela Datagro e o Ministério das Relações Exteriores, através da Rebraslon (Representação Permanente do Brasil junto aos Organismos Internacionais sediados em Londres), o evento contou com 176 participantes de 22 países. Entre os especialistas estava o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha.

Segundo o presidente da Datagro, Plínio Nastari, a participação de André Rocha com o painel sobre como as recentes crises mudaram o setor, e como o Estado de Goiás tem se destacado na expansão da capacidade industrial e na moagem de cana foi um dos pontos altos do evento.

Para André Rocha Goiás é um “ponto fora da curva” nesse cenário de crise mundial. “Apesar do momento econômico, crescemos acima da média nacional em vários setores produtivos, graças ao bom acesso das entidades empresariais ao governo estadual. Nosso Estado tem desempenho melhor do que as demais unidades da federação na produção de etanol e açúcar. Tivemos aumento expressivo de usinas nos últimos dez anos, com destaques para os investimentos da BP e da Raízen(Shell/Cosan)”, elucida.

O encontro

As discussões em Londres confirmaram que embora o mercado mundial de açúcar passe pelo terceiro ano consecutivo de excedentes, a demanda continua crescendo rapidamente, e deve passar, até 2020, dos atuais 166 para 201 milhões de toneladas de açúcar, e de 95 para 167 bilhões de litros de etanol. Esse aumento na demanda do açúcar deverá ocorrer principalmente nos países da Ásia, já do etanol nos EUA e no Brasil.

Na Europa, há discussões em curso sobre o impacto do uso indireto da terra e a capacidade de substituir gases do efeito estufa por biocombustíveis produzidos de diferentes fontes de biomassa. Também é debatida a demanda por etanol, que deverá expandir consideravelmente para atender os objetivos definidos pela Comissão e o Parlamento Europeu.

No Brasil

Embora uma parte do setor sucroenergético ainda esteja apresentando um nível razoável de endividamento, ações positivas do Governo Federal, como a retomada da mistura padrão de 25% de anidro na gasolina, e linhas de crédito para renovação de canaviais e investimentos em mecanização, inovação e novas tecnologias, permitiram uma rápida recuperação da produção no Brasil.

Apesar dos atuais baixos preços internacionais do açúcar e da política de preços da gasolina, que mantém artificialmente baixo o preço da gasolina nas bombas, a indústria não parou de investir pesadamente na renovação de canaviais, com a utilização de variedades mais modernas e produtivas, na mecanização do plantio e colheita, em logística de transporte e na infraestrutura portuária e dutoviária.

As exportações de açúcar e etanol e o valor da gasolina importada substituída pelo etanol permitem um impacto positivo de 26,5 bilhões de dólares na balança comercial brasileira em 2012, e de 12,1 bilhões de dólares apenas nos primeiros seis meses de 2013. A economia de divisas com substituição de gasolina pelo etanol desde 1975 monta a 279,6 bilhões de dólares, o que equivale a 75% das atuais reservas de divisas do País.

Embora o Brasil esteja gastando R$ 1,7 por litro de gasolina importada (US$ 0,797/litro em 2012, e US$ 0,751/litro em 2013), o etanol é atualmente vendido no Brasil a R$ 1,32 por litro de etanol anidro e R$ 1,12 por litro de etanol hidratado. A internalização nos preços das vantagens ambientais e de promoção de desenvolvimento econômico descentralizado e sustentado do etanol devem fazer com que o produto se valorize no futuro.

Caso os preços internos e externos reflitam o cenário de excesso de demanda projetado para o futuro, o setor poderá voltar a expandir novamente sua capacidade de moagem, para continuar atendendo o desafio de suprir a demanda mundial crescente por açúcar e etanol.