Meio Ambiente

A fauna e as áreas de conservação das usinas 

lobo

Com a eliminação das queimadas na lavouras de cana-de-açúcar as Áreas de Preservação Permanente das usinas sucroenergéticas estão recebendo cada vez mais novos habitantes. Antes sumidos de matas e áreas próximas de usinas, agora é possível avistar a presença de gatos do mato, onças-pardas, lobos-guará, veados, tamanduás, tatus, cobras, capivaras, pacas, além de um grande número de outros integrantes da fauna, como insetos, pequenos roedores e pássaros – pombas, nhambus, codornas, perdizes etc. O resgate e o incremento da fauna são, com certeza, um dos impactos positivos sobre o meio ambiente de maior significado, pois, com o fim da queima da cana, além de reduzir o impacto sobre muitas espécies – já que a cana colhida crua permite que a fauna tenha maior tempo para fuga –, se proporciona maiores índices de preservação e eliminação de ameaças de extinção de animais nativos das respectivas regiões do País.

Há alguns anos, as usinas do setor sucroenergético começaram a se adaptar às novas exigências ambientais. Existe uma maior consciência ambiental e da necessidade de preservação do meio ambiente, tanto é que a expressão desenvolvimento sustentável nunca foi tão dita e praticada quanto agora. Algumas empresas têm estabelecido em sua Licença Ambiental ou no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) – e no relatório resultado desse estudo, conhecido como Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) -, a necessidade de monitorar a fauna e a flora. Nada impede também que empresas do setor façam parcerias com ONG´s que atuam na proteção dos animais, no sentido de resguardar e preservar a fauna, principalmente aquelas espécies atingidas pelas queimadas ou ameaçadas de extinção.

É o caso da Odebrecht Agroindustrial, empresa da Organização Odebrecht, que reúne nove unidades produtivas, sendo três delas em Goiás. A empresa adota o compromisso de preservação da biodiversidade e de conservação dos biomas locais onde atua. A Organização Odebrecht possui parceria com o Instituto Onça Pintada (IOP) para o monitoramento de espécies da fauna no entorno de suas unidades em Alto Taquari (MT) e Mineiros (GO). São locais próximos da nascente do Araguaia e do Parque Nacional das Emas.

Segundo o supervisor do Polo Araguaia, Fabiano Zillo, a proposta é avaliar se há equilíbrio e desequilíbrio da fauna na região. O acompanhamento é feito por meio de armadilhas fotográficas, que detectam populações, e colares georreferenciados, que ajudam a identificar os hábitos dos animais, principalmente da onça pintada. Ele explica que a onça foi escolhida como foco porque se há a presença do animal na região, significa que toda a cadeia está preservada. “É porque a onça pintada está no topo da cadeia. O registro desse animal circulando pelos canaviais e áreas próximas, representa que a população continua em equilíbrio”, explica.

Fabiano informa que o trabalho de monitoramento começou há quase sete anos, época em que as unidades passaram a atuar no Polo Araguaia. Antes desse período, orienta o supervisor, o Instituto Onça Pintada tinha informações apenas do impacto causado pela entrada da produção de grãos. “Como a cana-de-açúcar é mais recente, decidimos por essa parceria para entender como seria a relação da fauna com a produção, se seria positiva e para ter dados comportamentais”, diz. Ele enfatiza também que todo o monitoramento e estudo serão a longo prazo, e que os resultados que vão surgir ajudarão a desenvolver trabalhos posteriores de preservação da fauna e da flora. “Exemplo disso são os corredores ecológicos. Por meio do monitoramento, poderemos identificar as áreas preferenciais dos animais”, reforça.

Sifaeg

 

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