Bioeletricidade

Crescimento da cogeração de energia enfrenta barreiras

COGERACAO

A energia gerada a partir da cana- de-açúcar representa 3,5% da demanda total do País. O aproveitamento da biomassa ainda é pequeno se for levada em consideração a quantidade de usinas espalhadas pelo Brasil, que já somam 441 unidades em operação. Entretanto, não é por falta de interesse das indústrias que esse número não é maior, existem motivos que explicam os entraves para a expansão da bioeletricidade. As respostas foram mapeadas em dois estudos realizados nos últimos anos por especialistas brasileiros e que revelam as causas possíveis para o pouco aproveitamento do potencial de utilização da biomassa.

O estudo sobre regulação de energia elétrica com biomassa da cana, feito pelo pós- doutorando da Unicamp e professor da Universidade de Brasília (UnB), Luiz Vicente Gentil, identificou que a conexão entre a usina de cana-de-açúcar e o ponto de acesso à rede distribuidora ou da transmissora é um dos principais obstáculos para ampliar a bioeletricidade. Dados da pesquisa mostram que a obrigatoriedade de as empresas do setor sucroenergético terem de arcar sozinhas com os custos da construção de linhas de transmissão pode representar até 30% do total de investimento em um projeto de bioeletricidade.

Com incentivos para custeio da construção das linhas de transmissão, que ligam a usina a um ponto de acesso à rede de distribuição elétrica, o Brasil poderia, nos próximos anos, saltar na geração de energia a partir da biomassa, atendendo mais de 8% da demanda nacional, resultando ainda em US$ 1,75 bilhão em receita para as usinas. Atualmente, 90% da carga elétrica do País têm origem nas usinas hidroelétricas e o restante vem de outras fontes, inclusive a eólica. O investimento, seja por meio da desoneração ou oferta de incentivos para a geração de energia a partir da biomassa, eólica, solar e outras poderia contribuir para reduzir a carga de responsabilidade das hidroelétricas e evitar, assim, os frequentes apagões que têm ocorrido no Brasil nos último anos.

De acordo com o gerente de Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Zilmar José de Souza, o atual modelo de regulação implica em custos, onerando a usina. “Há a necessidade de uma política setorial dedicada à bioeletricidade, em especial ao aspecto da conexão. Se essa infraestrutura fosse ofertada, desoneraria em 30% o investimento e tornaria a energia oriunda da biomassa mais competitiva nos leilões”, acrescenta.

 Mapeamento

A pesquisa ‘Determinantes do baixo aproveitamento do potencial elétrico do setor sucroenergético: uma pesquisa de campo’, realizada pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), verificou que as principais causas para inibir o investimento na cogeração de energia elétrica se devem: à dificuldade de conexão das centrais térmicas à rede de distribuição, a fragilidade econômica e financeira, e a inexperiência em operar no setor elétrico de determinadas usinas. O estudo foi feito na safra 2009/2010, em 207 unidades sucroenergéticas no País (de um total de 438 na época), com a proposta de conhecer a ótica das usinas e estimular o melhor aproveitamento do potencial elétrico do setor sucroenergético.

De acordo com a pesquisa, a dificuldade de conexão das centrais térmicas está relacionada com o fato de a rede de distribuição ter sido projetada apenas para atendimento da demanda de consumidores e não de coleta da geração de energia. Essa situação torna necessários, para a conexão de unidades cogeradoras, investimentos para o dimensionamento econômico, e de menor custo global para o sistema. O levantamento identificou também que parte das usinas que ainda não investe em cogeração não o faz devido ao custo dos investimentos em modernização da planta e às condições de financiamento ao investimento.

No caso de modernizar uma planta já existente, é necessário substituir equipamentos do processo de produção de energia que ainda possuem vida útil, como caldeiras, turbinas e geradores, o que representa custo para as usinas. Agora, existe uma diferença nos projetos greenfields e de expansão da moagem de cana, pois os equipamentos já integram um plano de investimento e estão previstos na receita das unidades industriais.

Outro ponto verificado no estudo, e que não é comum de ser tratado como entrave, foi a carga tributária. O problema tributário ocorre principalmente nos investimentos em bioeletricidade que optam por separar a atividade da usina de açúcar e etanol, criando uma empresa de geração de energia elétrica.

 

Canal -Sifaeg

 

Deixe um comentário