Cana-energia

 Melhoramento genético

Canavial 3 - Usina Sao Joao Canavial 3 - Usina Sao Joaocanavial-3-usina-sao-joaoCanavial 3 - Usina Sao JoaoA chamada cana-energia em breve pode se tornar realidade no dia a dia do setor sucroenergético. A Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa) trabalha em um programa ambicioso que promete abrir novos caminhos. Os estudos avançam rumo a modificações genéticas capazes de produzir as plantas com mais fibras e diferentes níveis de sacarose.

Como o etanol de segunda geração é produzido a partir da quebra e fermentação da celulose, a alta quantidade de biomassa presente na cana-de-açúcar resulta em maiores quantidades do combustível.

Com maior quantidade de fibras, a variedade de cana-de-açúcar vai potencializar seu uso em projetos agroenergéticos. Segundo o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenador do Programa de Melhoramento Genético de Cana-de-Açúcar (PMGCA), Geraldo Veríssimo, a cana-energia difere da cana tradicional pelo fato de que ela não é destinada apenas para o setor sucroenergético, mas também para outros setores. Segundo o professor, o etanol celulósico é uma tecnologia já desenvolvida, e destaca a recente inauguração da primeira fábrica do biocombustível avançado instalada em Alagoas.

Produção

A Ufal mantém o Banco de Germoplasma da Serra do Ouro, Alagoas, onde anualmente são realizados os cruzamentos genéticos para os programas de pesquisa das Universidades da Ridesa. Nessa coleção genética há várias espécies selvagens de cana e híbridos desenvolvidos em diversas partes do mundo, com grande diversidade genética que permite obter populações de clones com as diversas características desejadas pelos melhoristas e, assim, poder desenvolver esses tipos de cana.

A cana-energia é produzida por meio de um melhoramento genético que resulta em cana com mais quantidade de fibras e variação na quantidade de açúcar. “Pelos cruzamentos genéticos e pelos tipos de parentais usados nos cruzamentos genéticos teremos alguns que terão mais fibras e outros menos açúcar e muito mais fibras. A cana-energia com baixa quantidade de açúcar e aumento de fibra tem foco na produção de energia, explica Geraldo Veríssimo.

De acordo com o professor, a cana- energia tem destino certo: ela deve ser uma importante aliada na cogeração de energia. Questionado sobre a viabilidade econômica do material, o professor Geraldo Veríssimo acredita que o melhoramento de cana pode se tornar uma realidade. “Para a utilização nas indústrias, as empresas estão fazendo os cálculos baseados na demanda de etanol e de produção. Acreditamos que esse uso seja, sim, viável.”

Resultados

O objetivo dos programas mundiais de melhoramento genético na seleção da cana- energia é obter diferentes tipos de planta. Um dos tipos é a Cana-energia 1, com manutenção do alto nível de açúcar (acima de 15% de sacarose) e com alto teor de fibra (acima de 18%). Este tipo é interessante para as empresas do setor sucroenergético que desejam investir na produção de etanol de segunda geração (etanol celulósico).

Por outro lado, busca-se também a Cana- energia 2, com baixíssimo nível de açúcar (sacarose menor que 6%) e elevado nível de fibra (acima de 28%), que é procurada por empresas que desejam produzir e fornecer biomassa para a geração de energia (eletricidade). “Devido à necessidade de produção de biomassa para a cogeração de eletricidade, desde o início da década de setenta alguns programas de melhoramento do mundo têm desenvolvido a cana-energia com sucesso (Barbados, Cuba, Louisiana, Índia, África do Sul, Austrália, Ilhas Maurício e Ilhas Reunião). No Brasil, já houve iniciativa de desenvolver a cana-energia na década de oitenta, mas somente nos últimos cinco anos é que os programas têm investido mais”, ressalta Geraldo.

“Na Ridesa, as universidades já iniciaram o desenvolvimento das Canas Energia I e II e em breve teremos as variedades RB de Cana Energia. Os resultados preliminares indicam que essas plantas têm as características almejadas”, revela.

Futuro

A cana-energia ainda não está presente em larga escala nas usinas sucroenergéticas. O professor Geraldo Veríssimo acredita que, para ser competitiva, na próxima década a atual empresa do setor sucroenergético nacional deverá ser transformada em biorrefinaria. “Essa indústria irá aproveitar ao máximo a biomassa da cana (colmos, ponteiros e palhas), e usará as novas tecnologias para diversificar a sua produção (além de açúcar, etanol, eletricidade, produzirá o etanol celulósico, biodiesel, bioquerosene, bioplástico, cosméticos, fármacos, briquetes, pellets e bioquímicos diversos)”, ressalta.

A expectativa da Ridesa é que em médio prazo a cana-energia será plantada comercialmente para atender as demandadas de energias renováveis, planejada para a matriz energética brasileira. “Tem havido grandes incentivos do governo federal na criação de empresas empreendedoras nessa área, e o Brasil se afigura como o País com o maior potencial de abastecer o mundo com esses produtos”, afirma Geraldo.

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