Entressafra

Manutenção com planejamento reflete na produtividade

entressafraToda usina é uma indústria de processamento. E todo processo precisa de manutenção, que é o ato ou ação de reparar um equipamento. As usinas de cana-de-açúcar, como qualquer outra indústria precisam de manutenção, seja preventiva, corretiva ou preditiva.

Segundo o técnico em Instrumentação e Controle de Processos do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), do Campus de Rio Verde, Waldir Augusto, a manutenção preventiva é a realizada para antecipar um problema, evitando as paradas no processo. Já a corretiva é a realizada no momento em que o equipamento apresenta problema. E a preditiva é um acompanhamento através de monitoramento do funcionamento do equipamento, seja por vibração, ruído ou outros.

A entressafra do setor sucroenergético é um período de parada programada da usina, que permite intervenções de manutenção mais complexas. Mas, nos equipamentos mais críticos, isso é, nos de mais alta importância no processo é necessário ter uma rotina de inspeções e uso de técnicas de manutenção preditiva durante a operação contínua para identificação de sinais de estado de falhas. “Essa ação permitirá um planejamento mais adequado de suas intervenções mesmo que em momento de safra de modo a não impactar no processo produtivo”, explica o CEO – Wert Solutions, Rodrigo Rotondo. Por isso, é importante que a usina desenvolva estratégias de manutenção.

Assim, se um equipamento possui uma alta importância em processo e, se o mesmo parar inesperadamente, pode ocasionar alto impacto à produção. “Esse ativo precisa ter um conjunto de estratégias de manutenção para que se possa obter a máxima disponibilidade do mesmo”, pontua o Rotondo.

Uma boa manutenção de entressafra, com qualidade nos serviços executados já reduz os custos de manutenção corretiva e preditiva. “Com a manutenção bem feita demora mais para apresentar problema no sistema”, fala Waldir Augusto.

Em uma usina há equipamentos nos quais são exigidos de maneira intensa no período de safra, por isso, é natural que os mesmos possuam grandes desgastes que em alguns casos são reparáveis e, em outros, a substituição se faz necessário. Esse tipo de exigência operacional necessita de um período maior para reparo ou substituição e, dessa forma, mesmo que o período de entressafra esteja cada vez mais reduzido, é nesses períodos que intervenções como essas são possíveis. “Acredito que o mais importante no ambiente de usinas é o uso de técnicas avançadas de manutenção durante o período de safra para monitorar e identificar o estado de operação e falha de seus ativos mais importantes e, assim, ter acuracidade no planejamento de grandes intervenções ou substituição de equipamentos”, explica Rodrigo.

Períodos mais curtos

A cada dia mais as usinas têm reduzido o período da entressafra, seja para aumentar a produção de etanol e açúcar, seja para atender as necessidades de cogeração de energia. Contudo, o tempo encurtado de entressafra exige um planejamento e programação da manutenção de modo eficaz para não prejudicar o início de novas safras.

Diferentemente, Waldir Augusto destaca que o período deve-se ao fato do crescimento desordenado da usina, ou seja, aumenta-se a área de plantio da cana, a quantidade produzida, mas esse crescimento não é acompanhado paralelamente pelo aumento do parque industrial. “Quando a unidade não amplia em função da demanda do plantio, só resta aumentar o tempo de moagem da cana em excesso, diminuindo, dessa forma, o período de entressafra”, exemplifica Augusto.

O especialista complementa que a falta de planejamento é um erro crucial nas usinas, que pode acarretar até mesmo atraso no início da safra. Nos dias atuais, o grande desafio da manutenção é saber utilizar as informações dos ativos existentes para a tomada de decisão. Segundo Rodrigo, nas últimas décadas foram vividas a era da informatização da gestão de manutenção e muitas empresas iniciaram o uso sistemas de manutenção e ativos. “Entretanto, esses dados ainda não são utilizados de modo adequado pelos gestores, seja pela falta de confiabilidade de informação, seja por limitantes dos sistemas informatizados. Se isso ocorrer na usina, de nada adiante ter um sistema de informação, pois o que terá em mãos é como digo, um ‘bando de dados’ e não um banco de dados que pode ser analisado e utilizado para avaliar indicadores”, esclarece.

Além disso, é imprescindível o Planejamento e Controle de Manutenção (PCM) nas usinas do setor sucroenergético. O PCM auxilia nas decisões de manutenção preventiva e preditiva juntamente com ferramentas de análise de vibração, termografias, análise de óleo além de outros mais sofisticados.

Pode-se determinar a hora certa de substituição de um equipamento ou componente e também prolongar a vida útil dos equipamentos. “Realizando uma analogia com seres humanos, nossa máquina também não é infalível e apenas com acompanhamento médico e rotineiro podemos identificar estados iniciais de doenças para que o tratamento adequado seja aplicado e, assim, possamos ter o máximo de expectativa de vida com qualidade.

O PCM é a equipe médica dos ativos de um processo produtivo e deve estar atenta ao estado de operação e falhas dos mesmos de modo a intervir com precisão e eficácia”, faz analogia Rodrigo.

Enfim, para os profissionais os grandes erros da manutenção se devem pela ausência de testes nos equipamentos antes do início da safra, baixa qualidade nos serviços executados, desordem no pátio no qual os equipamentos são alojados esperando peças de reposição, falta de peça de reposição em função de uma má logística operacional, atrasos em serviços de outros departamentos que dependem do término daquele para finalizar este, erros de montagem de projeto.

As falhas estão ligadas a falta de estabelecimento de uma estratégia de manutenção para os ativos, o inadequado uso de sistemas de gestão de ativos e a ausência de investimentos a uma área de PCM. “Tudo está relacionado ao investimento necessário versus o benefício em utilizar de modo adequado, mas quando se compara resultados de uma usina com ações adequadas de gestão de manutenção com outra que ainda está com dificuldades é possível realizar o comparativo e constatar os ganhos expressivos”, finaliza Rodrigo.

Cejane Pupulin / Canal-Jornal da Bioenergia