Etanol celulósico

Etanol de resíduos da cana-de-açúcar deve ser produzido este semestre

Cana

Nos últimos anos, diversas pesquisas e estudos exploratórios demonstraram que é possível produzir, em escala comercial, o etanol a partir de resíduos da cana-de- açúcar, como palhas, folhas e cascas. É o chamado etanol de segunda geração, que visa aproveitar restos da produção, aumentar a produtividade e reduzir impactos ambientais, como a emissão de gás carbônico (CO2) na atmosfera. Entretanto, até o final de 2013, a produção tinha se limitado às estações experimentais de companhias e empresas que atuam no Brasil. Esse quadro deve mudar em breve, já que, segundo expectativas, a empresa de biotecnologia GranBio deve abrir a primeira fábrica de etanol celulósico do Hemisfério Sul ainda no primeiro semestre, em São Miguel dos Campos (AL). Com investimento de R$ 350 milhões, a unidade inaugural da empresa terá capacidade de produção nominal de 82 milhões de litros de etanol por ano. A meta da empresa é atingir 1 bilhão de litros de etanol por ano até 2020. Quando a fábrica de Alagoas estiver operando com 100% de sua capacidade, a previsão é que o faturamento atinja R$ 120 milhões por ano. A construção da fábrica conta com financiamento do Programa de Apoio à Inovação dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS), do BNDES, de R$ 300 milhões, e R$ 50 milhões da família Gradin. A previsão é que, no início, a unidade utilizará bagaço e palha de cana-de-açúcar como matéria-prima para fabricação do combustível e, assim que começar a operar, deve aumentar em 35% a capacidade da produção na região. Pelo menos 50% da produção será exportada. Os destinos, porém, vão depender das condições de mercado. A GranBio começou a idealizar o projeto da produção de etanol de segunda geração há alguns anos. Em 2013, por exemplo, a empresa inaugurou, também no município de Barra de São Miguel, no Estado de Alagoas, a Estação Experimental para o desenvolvimento da cana-energia e outras fontes de biomassa. A estação de pesquisa foi criada com o objetivo de desenvolver matéria-prima competitiva exatamente para futuras unidades industriais da empresa. A estação funciona com foco no desenvolvimento da cana-energia, variedade de cana desenvolvida pela GranBio, obtida a partir do cruzamento genético de híbridos comerciais com tipos ancestrais de cana-de-açúcar. O resultado é uma cana mais robusta, com maior teor de fibra e potencial produtivo, que poderá ser plantada em áreas degradadas de pasto. Além disso, segundo informações da empresa, os canaviais têm uma vida útil três vezes maior e a colheita pode ser feita em qualquer época do ano. O primeiro plantio comercial da cana-energia da GranBio, batizada de Cana Vertix, está previsto para 2015. “Estamos muito confiantes em inaugurar a primeira operação da GranBio, que teve início em 2011”, afirma o presidente da GranBio, Bernardo Gradin. “A matéria-prima é fator-chave de competitividade para o etanol de segunda geração. Acreditamos que a cana-energia é a melhor fonte de biomassa para essa indústria no mundo”, completa Gradin. Com 60 hectares de área, a Estação Experimental da GranBio recebeu investimentos da ordem de R$ 10 milhões, sendo 90% do valor financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Raízen

A empresa iniciou a construção de sua primeira unidade de produção de etanol celulósico no Brasil. A planta com capacidade para 40 milhões de litros de etanol por ano será instalada em Piracicaba (SP), ao lado da unidade Costa Pinto. O biocombustível de segunda geração será produzido a partir de bagaço, folhas, cascas e outros resíduos da produção de cana-de-açúcar. Com investimentos de R$ 230 milhões (parte recursos do BNDES), a nova planta já começou a ser construída e a previsão para entrada em operação é o final deste ano. Segundo o vice-presidente de açúcar, etanol e bioenergia, Pedro Mizutani, a intenção é aproveitar a sinergia que será possível obter com a unidade de primeira geração da Raízen, conseguindo reduzir custos e aproveitar muito do sistema logístico já existente na região. De acordo com ele, a unidade vai proporcionar um grande diferencial competitivo para a empresa no setor sucroenergético. “Para a Raízen é importante a implantação da planta de etanol celulósico em Piracicaba. É o início de uma nova ruptura tecnológica, onde podemos produzir 40% a mais de etanol no mesmo hectare. Isso vai contribuir para a redução dos custos na Raízen e ao mesmo tempo vai contribuir para reduzir a emissão de CO2 no planeta.” A dinamarquesa Novozymes será a fornecedora exclusiva de enzimas desenvolvidas para a produção do etanol de segunda geração na unidade Costa Pinto. Elas são responsáveis por converter o material celulósico em açúcar – uma das etapas do processo de fabricação. A empresa fornecerá, a princípio, a matéria-prima importada e, posteriormente, construirá uma planta para a fabricação da enzima no Brasil.

Testes no Canadá

Desde 2012, a Raízen, em parceria com a Iogen Corporation, empresa canadense de biotecnologia, mantém uma planta teste de etanol celulósico na cidade de Ottawa, no Canadá. O diretor de bioenergia e tecnologia da empresa, João Alberto Abreu, afirma que o objetivo é adquirir toda a expertise necessária para implementar a primeira unidade comercial da Raízen no Brasil e garantir excelência operacional na produção de biocombustíveis, para assim produzir a commoditie em escala comercial assim que a planta for entregue. “É fundamental fazer todos os testes na planta no Canadá para a nossa biomassa, com as enzimas que são fornecidas por nosso parceiro para garantir que o que funciona lá numa escala de demonstração vai funcionar quando a gente colocar aqui em escala comercial.” Segundo ele, trata-se de um negócio novo e desafiador, por esse motivo o período de testes se caracterizou como peça fundamental para que a primeira unidade inicie as operações de forma sustentável e economicamente viável. Até o momento, a companhia já enviou mais de 1.000 toneladas de bagaço de cana-de-açúcar para o Canadá. Uma equipe da Raízen acompanha in loco o desenvolvimento do projeto fora do país.

Investimentos

Com o aprendizado adquirido durante os testes em sua planta de demonstração no Canadá, a Raízen acredita que o etanol celulósico é um dos grandes caminhos para atender a demanda crescente por etanol no Brasil e no mundo. Por isso, além da primeira unidade em Piracicaba, a companhia prevê mais sete plantas de etanol celulósico até 2024, todas elas próximas às unidades de produção de primeira geração já existentes. A expectativa é que, operando com capacidade máxima, as unidades produzam um bilhão de litros de etanol. Com a nova planta, a companhia vai produzir 40 milhões de etanol de segunda geração. A Raízen vai empregar cerca de 250 funcionários durante a obra. De acordo com o diretor de projetos da Companhia, Rodrigo Pacheco, a estrutura contará com equipamentos nacionais e importados. “Nós devemos ter, para essa planta, um tempo de 15 meses de construção.

Canal-Jornal da Bioenergia

 

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