Goiás

Investimentos em novas usinas caem no Estado

Hewlett-Packard Os incentivos oferecidos pelo governo federal à gasolina, como subsídios e desonerações, além de interferirem na concorrência com o etanol vendido nos postos, estão impactando de forma negativa os investimentos em novas usinas de produção de álcool e açúcar em Goiás.

O ano de 2013 deverá fechar com o saldo de duas unidades inauguradas no setor industrial goiano – número 50% menor do que a média registrada entre 2005 e 2010, de quatro usinas por ano, e bem abaixo do recorde de 2008, quando 11 indústrias começaram a moer cana no Estado.

A Usina Rio Dourado, que será inaugurada na próxima semana, em Cachoeira Dourada, no Sul Goiano, entrará para os registros como a 38ª usina de Goiás e a 2ª a operar este ano. Sua capacidade inicial de moagem será de 1 milhão de toneladas, para uma produção de 1.240 metros cúbicos de hidratado/dia ou 1,2 mil de anidro/dia.

Em maio deste ano, a Usina Cambuí, instalada em Santa Helena de Goiás, foi a primeira e a única a entrar em atividade este ano no Estado. A unidade tem capacidade inicial de processar 850 mil toneladas de cana. Em 2014, essa capacidade subirá para 1 milhão de toneladas.

MENOR

O presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha, diz que não há previsão de novas inaugurações de usinas para este ano e de apenas uma para 2014. Segundo ele, a perspectiva de investimentos está menor do que a registrada nos últimos anos.

Levantamento do Instituto Mauro Borges (IMB), vinculado à Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan), confirma este cenário. A previsão é de que o setor sucroenergético goiano efetive 17 projetos, entre implantação e ampliação, que podem ser desenvolvidos nos próximos quatro anos.

O valor investido poderá chegar a R$ 6,3 bilhões. Apesar da expressividade, o gerente de Estudos Socioeconômicos e Especiais, Marcos Arriel, destaca que este resultado, se comparado às pesquisas anteriores, mostra uma queda em relação à euforia registrada a partir de 2007.

“Em meados de 2009, a pesquisa de intenção de investimento apontou que pelo menos 88 novas usinas seriam implantadas em Goiás, com investimento na casa dos R$ 19 bilhões, representando 62% de toda a intenção de investimento produtivo para o Estado. De lá para cá, esses números vêm reduzindo drasticamente”, afirma.

CAUSAS

André diz que a diminuição dos investimentos em unidades produtivas decorre do incentivo “excessivo” à gasolina pelo governo federal. Ele explica que, hoje, a Petrobras compra gasolina fora do País, pagando um preço mais elevado do que vende aqui dentro (subsídio).

A Petrobras tem vendido diesel e combustível no mercado nacional cerca de 30% abaixo do preço de importação. A estatal perde cerca de R$ 1 bilhão por mês com a operação

Além disso, o governo federal zerou a Cide, que correspondia a 14% do preço final, e diminuiu a cobrança de PIS e Cofins (desoneração). “A gasolina é nosso concorrente direto. Com todos estes incentivos, o etanol perdeu competitividade e mercado em todo País. O resultado é uma redução dos investimentos”, avalia.

André ainda diz que não há nenhuma política do governo federal para incentivar a produção de etanol no País. “Os custos aumentaram com a alta dos preços de terras, inflação e diesel. O etanol vem perdendo mercado no País”, descreve.

Dados da Unica mostram que, em dezembro de 2010, foram vendidos 1,6 bilhão de litros no Centro-Sul do País. Em dezembro de 2012, com o incremento de 7 bilhões de carros flex no mercado, as vendas ficaram abaixo de 1 bilhão de litros.

AUMENTO

Já os técnicos do governo convergem para o fato de que o aumento do preço da gasolina servirá como estímulo indireto ao setor sucroalcooleiro. Mais barato nas bombas, o etanol pode compensar o aumento de preços aos consumidores.

Além disso, a composição da gasolina no Brasil conta com 25% de etanol na mistura, o que diminui o repasse da alta de preços nas refinarias para as bombas nos postos de combustíveis.

Setor quer estímulospara crescer

29 de setembro de 2013 (domingo)

As manobras do governado para salvar a gasolina não deixaram o etanol crescer. Em 2008, o álcool tinha um preço mais vantajoso em 22 Estados, que concentravam 95% da frota. Hoje, só quatro Estados têm essa paridade, entre eles São Paulo e Goiás, primeiro e segundo maiores produtores, respectivamente.

André Rocha ainda comenta que, de 2008 para cá, 25% das empresas trocaram dirigentes e parte das usinas foi vendida. “Isso leva empresários a adiar investimentos”, avalia. Embora o cenário seja agravante, ele revela que as usinas em operação fazem investimentos, mas com cautela. “Mesmo assim, o setor precisa de incentivos para crescer e gerar empregos.”

JORNAL O POPULAR

 

Deixe um comentário