Goiás

Usinas investem em requalificação

 Hewlett-PackardO cortador de cana Alceni de Jesus Lima, de 49 anos, morador de Anicuns (GO), diz que com as melhorias vivenciadas pelo setor nos últimos anos pode ajudar na educação dos filhos. “Estou conseguindo dar aos meus filhos o que não tive. Eles estão estudando para terem mais chance na vida”, explica.

Alceni lembra que até 2006, a realidade que vivia no campo era totalmente diferente dos dias de hoje. Ele conta que acordava às 4 horas da manhã para preparar a ‘bóia’, nome dado a marmita que os trabalhadores levavam para os canaviais. Depois, às 5 horas já tinha que sair de casa para o trabalho e só retornava à noite. “Agora, sei dos meus horários e posso até planejar tudo. Tenho até uma hora de almoço, coisa que não tinha antes”, comemora.

A única preocupação do cortador de cana é com possível desemprego por causa da mecanização agrícola, já que 95% das colheitas no Estado de Goiás são por meio de colheitadeiras. “Por enquanto, tenho vaga de trabalho, mas sei que isso pode mudar. Sei também que o ideal é estudar”, enfatiza o trabalhador.

Para evitar esse tipo de apreensão dos assalariados e o desemprego no campo, as usinas e unidades industriais do setor sucroenergético têm investido na qualificação dos profissionais para aproveitamento em outras áreas da empresa. “Alguns estão participando de cursos de capacitação para operar máquina, dirigir caminhão e efetuar atividades na indústria”, orienta José Maria.

Um dos engenheiros responsáveis pela Qualifica Engenharia e Segurança, Jéliston Patrício Couto, concorda que a introdução de tecnologias nos canaviais e a exigência por profissionais qualificados mudarão a realidade no campo, mas ele reforça que há a preocupação das usinas em promover a qualificação desses trabalhadores e aproveitá-los em outras funções. “As usinas vêm realizando um papel importante na construção de mão de obra qualificada. Em função da NR 31 do MTE, que determina que todo operador deve ter treinamento mínimo de 24 horas para sua máquina em específico, a realização destes treinamentos intensificaram-se, assim como sua integração e reciclagem. Estes treinamentos são oferecidos por sistemas de ensino do governo, instituições ligadas ao agronegócio e por empresas de treinamento particular”.

É o caso do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás), que recebe demanda por qualificação das usinas, dos trabalhadores rurais e agora vem crescendo a procura por pessoas das áreas urbanas, que enxergam nesse setor uma oportunidade de emprego. “O empregador e o trabalhador rural são beneficiados diretamente pela qualificação. Para ambos, existem benefícios como rendimento do trabalho, execução correta das tarefas, conscientização e responsabilidade no uso dos equipamento de segurança e noções sobre segurança no trabalho. São questões fundamentais para o incremento produtivo da empresa e a empregabilidade da mão de obra”, explica o coordenador técnico do Senar Goiás, Cláudio Pereira.

Para o gerente de contas estratégicas do segmento Cana-de-Açúcar para América Latina da John Deere, Carlos Newton Graminha, a capacitação da mão de obra reflete principalmente no desenvolvimento socioeconômico dos trabalhadores rurais, o que é importante para todos que atuam no campo. “A mecanização cria novas perspectivas para estes trabalhadores, uma vez que, mais qualificados, podem melhorar suas condições e qualidade de vida”.

Ele reforça que se trata de uma realidade que beneficia toda a cadeia produtiva. Existe uma demanda cada vez maior das usinas brasileiras por operadores capacitados para este trabalho. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a cultura da cana-de-açúcar continua em expansão para a temporada 2013/14. A previsão é que o Brasil tenha um acréscimo na área de cerca de 408 mil hectares, equivalendo a 4,8% em relação à safra 2012/13. O acréscimo é reflexo do aumento de área da Região Centro-Sul. A Região Norte/Nordeste praticamente se mantém com a mesma área para a próxima safra. São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul deverão ser os estados com maior acréscimo de áreas com 141,4 mil hectares, 106,1 mil hectares, 101,1 mil hectares e 43,5 mil hectares, respectivamente. Este crescimento se deve à expansão de novas áreas de plantio das usinas já em funcionamento.

Incentivo em campo

Com a proposta de incentivar e favorecer os investimentos na qualificação dos trabalhadores rurais, o presidente dos Sindicatos das Indústrias de Fabricação de Etanol e Açúcar em Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), André Rocha, assinou, em setembro, convênio com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Por meio da parceria, os sindicatos que representam os produtores de etanol e açúcar em Goiás irão implantar o Sistema Pronatec Industrial – PBM (Plano Brasil Maior), viabilizando assim a realização de vários cursos de qualificação profissional voltados para o setor sucroenergético.

A entrada em desenvolvimento do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego permitirá que os setores que necessitam de qualificação tenham oportunidade de inscrever seus funcionários nos cursos mais específicos, que inicialmente atenderão somente quem já estiver trabalhando no segmento sucroenergético. As usinas já estão preparando uma relação de colaboradores para os cursos, e um levantamento da demanda de cursos necessários para qualificação em 2014. Os treinamentos terão um mínimo de 160 horas, sem custos para as empresas.

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