Opinião

A cigarrinha e o seu controle

 CANAVIAL00012Com a dificuldade econômica vivida pelo setor sucroenergético, realizar um bom manejo nos canaviais significa maior produtividade agrícola e também industrial. Exemplo disso é o cuidado com a cigarrinha das raízes, praga que tornou-se relevante no Estado de São Paulo a partir do final da década de 1990, quando ocorreu o aumento das áreas de colheita de cana crua. Na região, a situação se agravou ainda mais em 2007, quando foi firmado o Protocolo Agroambiental do setor sucroenergético, fazendo com que a colheita manual fosse substituída gradativamente pela mecanizada.

Mas engana-se quem pensa que apenas o Centro-Sul é alvo da cigarrinha das raízes. Em alguns Estados do Nordeste, por exemplo, também são registrados danos severos à produtividade e à qualidade da matéria-prima.

Sem a queima, que controlava naturalmente a população de várias pragas, dentre elas a cigarrinha, prevalece a cana crua e com isso nos deparamos com um ambiente favorável para o desenvolvimento do inseto, que tem a umidade como sua grande aliada.

Os estragos causados pela cigarrinha, que mede cerca de um centímetro, podem chegar a 60% de perda de produtividade. A porcentagem é maior em cana colhida no final da safra, quando a planta está mais suscetível ao ataque. É preciso registrar também os prejuízos na área industrial, uma vez que é registrado redução do teor de sacarose da cana.

 Desenvolvimento

Tudo se inicia no período chuvoso, quando as fêmeas depositam seus ovos na base das touceiras de cana, em bainhas secas e em outros resíduos vegetais. Em alguns casos isso acontece até mesmo sobre o solo, já nas proximidades dos colmos. Após a eclosão dos ovos, as ninfas se deslocam para as raízes e radicelas, onde se fixam e começam a sugar a seiva, permanecendo neste ponto, envoltas por uma densa espuma produzida por elas mesmas. O ciclo total desse inseto dura de 65 a 80 dias, sendo comum a ocorrência de três gerações anuais no período chuvoso do ano. No período seco, os ovos entram em diapausa, permanecendo assim até que as condições de umidade do solo sejam novamente favoráveis. Já na fase adulta, a cigarrinha também causa danos ao injetar toxinas nas folhas, interferindo na capacidade de fotossíntese da planta.

Estudos indicavam a existência de uma única espécie de cigarrinha das raízes nos canaviais brasileiros, a Mahanarva fimbriolata. Contudo, de acordo comuma análise de amostras enviadas ao Centro de Cana IACpor produtores de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná, existem outras duas, que convivem na maioria das áreas. São muito parecidas e só podem ser identificadas por meio do exame da genitália dos machos.

 Combate

Para reduzir os prejuízos causados pela cigarrinha é preciso adotar medidas de controle,como o químico e/ou biológico. O controle químico é considerado a principal ferramenta para este trabalho, já o biológico geralmente é aplicado em áreas com populações da praga ainda bastante baixas.

No manejo químico existem dois grupos de moléculas, o dos neonicotinóides e dos fenilpirazóis. A partir disso, a Ourofino Agrociência conta com o inseticida de contato e ingestão que é o DiamanteBR, à base de Imidacloprido. Trata-se de um produto com formulação líquida e Suspensão Concentrada (partículas menores), tornando-o mais homogêneo e de difícil decantação. É uma importante ferramenta para o controle eficiente dessa praga.

 Ana Paula da Silva -engenheira agrônoma na empresa Ourofino Agrociência, Mestranda em Produção Vegetal na UNESP Jaboticabal