Opinião

Oportunidades e perspectivas para o agronegócio

KPMG

 A agricultura e o setor de alimentos continuam apresentando boas perspectivas em uma economia mundial marcada por altos e baixos. Com o crescimento da população, aumento das áreas urbanas e ascensão da classe média, a tendência é de um cenário positivo, pois é impossível imaginar o mundo que vivemos sem os produtos oferecidos pelo agronegócio.

Por outro lado, o segmento vem enfrentando novos desafios impulsionados por diversos motivos, com destaque para a mudança climática, a rápida inovação tecnológica e as novas demandas que surgem com frequência, principalmente, quando se trata de biocombustíveis.

Líder mundial na produção de cana-de-açúcar, o Brasil é responsável pela metade dos 60 milhões de toneladas de açúcar exportados no mundo anualmente, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, e, mesmo diante desses desafios, se mantém como referência para as demais nações produtoras. Além disso, o País é o maior gerador mundial de etanol à base de cana-de-açúcar e, desta forma, vem conquistando cada vez mais o mercado externo com essa alternativa energética. Segundo a publicação da KPMG Internacional, “Cadeia agrícola e de alimentos: entrando em uma nova era de cooperação” (The agricultural and food value chain: entering a new era of cooperation, em inglês), o Brasil é o único País em que a produção de biocombustível não deve estagnar.

As perspectivas para os biocombustíveis que utilizam bases alimentares como matéria-prima não são tão boas como costumavam ser. Nos últimos anos, a produção desse tipo de combustível tem sido questionada por razões de segurança alimentar e impacto ambiental, o que se reflete em uma redução no apoio tanto nos Estados Unidos, quanto na União Europeia. Porém, no Brasil, onde a produção e a economia são mais favoráveis, existe otimismo para o futuro dessa fonte de energia.

Ainda de acordo com o relatório da KPMG, a produção de biocombustíveis estagnou no mundo desde 2010. Apenas no Brasil há uma previsão de crescimento, com o cultivo de cana-de-açúcar ultrapassando nove milhões de hectares de área plantada, em 2015.

É importante destacar que, para essas previsões se concretizarem, toda a cadeia de produção deve funcionar de maneira harmoniosa. Isso inclui a possibilidade de plantio sem prejudicar outros alimentos, tecnologia e estrutura de distribuição, dentre outros. A cadeia de agronegócio global, que inclui desde as companhias de base até os clientes, tem um valor total de cerca de US$ 5 trilhões, e as empresas interessadas no setor e que compactuem do objetivo de fornecer o acesso sustentável à alimentação, rações, fibras e, mais recentemente, combustível, podem encontrar muitas oportunidades de negócios.

Torna-se, dessa forma, cada vez mais vital a maior colaboração e envolvimento entre todos os participantes desse segmento. A extensão e a estrutura desta cooperação será uma decisão estratégica muito importante.

Aconteça o que acontecer na economia mundial, o agronegócio continuará a ser um setor atraente. Oportunidades não faltam para todos os players envolvidos na cadeia de produção, distribuição e comercialização do agronegócio, mas as empresas que vão se destacar são aquelas que colocarem no topo de suas preocupações melhorias nas estratégias de gestão, inteligência de mercado, agilidade e gerenciamento de risco, buscando parceiros que possam complementar suas atividades, sem deixar, dessa forma, de focar em seu core business.

 André Monaretti é sócio-líder do setor de Agronegócio da KPMG no Brasil

 

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