BRICS podem aumentar produção e uso de energias renováveis a partir da cana-de-açúcar

Intensificar a cooperação na área de energias renováveis, além de gerar desenvolvimento econômico nos países com potencial para produzir em larga escala o etanol de cana, como Brasil, Índia e África do Sul, também ajudará a limpar as matrizes energéticas de Rússia e China, grandes emissores globais de gases de efeito estufa. Esta foi a mensagem da representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) na América do Norte, Letícia Phillips, aos representantes de empresas e entidades setoriais dos cinco países que compõem o BRICS no Business Forum 2016, evento realizado na primeira quinzena de outubro (13/10), em Nova Delhi, capital indiana.

Durante sua participação em um painel sobre integração na área de agricultura, a executiva falou sobre a bem-sucedida experiência brasileira na produção de cana e seus produtos derivados, que há oito anos consecutivos lideram o ranking das fontes renováveis usadas no País. “Nos últimos 40 anos, o etanol e a bioeletricidade sucroenergética ajudaram a transformar o Brasil em uma potência agrícola e econômica. Neste sentido, temos expertise e uma imensa disposição para cooperar essencialmente em três pontos: previsibilidade, sustentabilidade e inovação tecnológica”, afirmou Letícia, cuja participação no BRICS Business Forum foi possível graças à parceria entre a UNICA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) em projeto de valorização do biocombustível brasileiro no exterior.

Além da UNICA, o evento que reuniu aproximadamente 300 pessoas também teve as presenças da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e das companhias Queiroz Galvão, Banco do Brasil, Weg, Vale, entre outras. Segundo Letícia Phillips, todos parceiros do BRICS demonstraram interesse em promover uma maior aproximação no segmento de energias alternativas.

“Os russos demonstraram disposição para projetos de ferrovias e também em técnicas de fertilização do solo. Os sul-africanos desejam contribuição em todas as áreas, em especial na agricultura, com destaque para os biocombustíveis. Os indianos mostraram entusiasmo em trabalhar com tecnologia da informação. Enfim, o Brasil é a estrela agrícola do grupo. Todos querem aprender conosco”, explica a executiva da UNICA. Atualmente, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul detém quase 21% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Juntos, representam aproximadamente 42% da população e 45% da força de trabalho no mundo.

Grupo de trabalho

Além de participar do Business Forum, Letícia Phillips também integrou as discussões do Grupo de Trabalho para a Agricultura do BRICS, composto por representantes da iniciativa privada dos cinco países do grupo. A executiva da UNICA reforçou os benefícios econômicos, sociais e ambientais da produção/utilização da cana e seus produtos. “Enfatizei que o Brasil é a prova concreta de que é possível desenvolver um agronegócio capaz de produzir alimento e combustível renovável conjuntamente, de forma eficiente e sustentável”, ressalta. A cana-de-açúcar foi responsável por 16,9% da matriz energética nacional em 2015. Este percentual já posiciona o País acima da média mundial (13,2%) no uso de energias limpas e renováveis. Apenas o setor produtivo emprega diretamente cerca de 1 milhão de trabalhadores, com 16 mil estabelecimentos vinculados à produção de cana e etanol, o que gera um expressivo número de empregos indiretos. Responsável por uma receita de US$ 10 bilhões em divisas externas em 2014 com as exportações de açúcar e de etanol, foi o terceiro segmento na pauta de exportação do agronegócio do Brasil naquele ano.

Hoje, apenas 0,5% do território brasileiro é utilizado para a plantação de cana-de-açúcar para etanol. Vale lembrar que a utilização deste pequeno percentual de área possibilita que o produto substitua cerca de 40% do consumo de gasolina do país, resultando em ganhos econômicos para o consumidor (menor preço) e sustentáveis para o país (menor emissão de CO2 e de poluentes atmosféricos).

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