Conferencia Internacional Datagro discute: MERCADO DE COMBUSTÍVEIS NO BRASIL.

Etanol

A 13ª Conferência Internacional Datagro esta debatendo vários temas ligados ao setor sucroenergético. O Coordenador dos debates do painel que tratou do mercado de combustíveis no Brasil foi o deputado federal Arnaldo Jardim. Como palestrantes atuaram Antonio de Ladua Rodrigues, Diretor Técnico, UNICA – União da Indústria Canavieira, José Raimundo Brandão Pereira, Gerente Executivo de Comercialização e Marketing, da Petrobrás, Petróleo Brasileiro S/A, e Ricardo de Gusmão Dornelles, Diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis, do Ministério de Minas e Energia.

O representante da UNICA foi o primeiro a falar e teceu comentários sobre a formação de preços dos combustíveis no Brasil, mostrando como o governo penaliza o etanol ao subsidiar os preços da gasolina. Lembrou ainda que a tributação do etanol anidro e hidratado nos Estados brasileiros tem variações enormes que precisam ser corrigidas. Defendeu uma reforma tributária que corrija essas questões e deixe de penalizar a produção de etanol.

A falta de regra clara e duradoura em relação ao preço da gasolina inibe novos investimentos do setor. “É preciso ter previsibilidade em relação a essa política de preços para o etanol e confiança que o combustível de cana tenha mais espaço na matriz energética brasileira” disse ele.

José Raimundo Brandão Pereira, representante da Petrobrás, enumerou os investimentos da empresa no setor de combustíveis para atender a demanda nacional pelos derivados do petróleo. Disse que houve nos últimos anos um aumento pela demanda de gasolina no país, em torno de 3% no último ano. Desde 2010, segundo ele, vem havendo uma redução no consumo de etanol no Brasil. Segundo ele, o etanol vai recuperar espaço a partir já deste ano nas vendas em todo o país.

Lembrou que a mistura de anidro na gasolina é muito positiva e possibilita um atendimento adequado a demanda em todo o país. A tendência é que haja uma redução na importação de gasolina em níveis crescentes daqui em diante. O executivo acredita em um excedente de gasolina nos próximos anos.

O expositor que encerrou o painel foi Ricardo Dornelles, do Ministério das Minas e Energia.

A maior participação do etanol na matriz energética brasileira em vários momentos da história nos últimos 10 anos, favoreceu o Brasil em função da redução acentuada na importação de gasolina. Isso foi diferente no ano passado, em função de problemas na produção de etanol hidratado, mas que já estão sendo superados desde o começo da safra canavieira deste ano.

Nos próximos 10 anos o governo prevê aumento da produção de gasolina por parte da Petrobras.

Reconheceu que a tributação da gasolina penaliza o etanol.

Disse que a CIDE Ambiental está sendo discutida atendendo solicitação do setor sucroenergético. Segundo ele, os custos de produção do etanol ainda são elevados e prejudicam a competitividade do combustível de cana. Disse que a indústria canavieira precisa recuperar espaço através da conquista de maior redução de custos. Disse que o governo federal sempre tributou menos o etanol do que a gasolina. “Nunca houve tributação maior do etanol em relação à gasolina”, disse ele. Defendeu a atuação do governo na questão de políticas para o setor sucroenergético e disse que a saída para o setor também passa pela redução dos custos de produção e aumento da produtividade. O representante do governo federal disse ainda que o BNDES está assegurando volume de recursos adequados para o setor sucroenergético crescer.

Os técnicos do setor e representantes dos produtores estão sempre em tratativas para estimular o crescimento do setor, mas alertou que o governo não fará nada a qualquer custo para ajudar o setor.

O deputado Arnaldo Jardim falou em seguida questionado algumas considerações feitas pelo representante do Ministério, principalmente no que se refere as políticas públicas adotadas nos últimos tempos pelo governo federal.

No debate que se seguiu, Ricardo de Gusmão Dornelles voltou a defender a atuação do governo na área e disse que estão acontecendo avanços nas conversas para ajudar o setor, mas que as usinas têm realidades diferentes e isso dificulta a adoção de medidas adequadas por parte do governo.

André Rocha, presidente-executivo do Sifaeg e presidente do Fórum Sucroenergético Nacional se manifestou durante o debate e disse que o aumento de custos do setor são decorrentes de aspectos como aumento do dólar e competição com a gasolina. O executivo questionou também sobre a nova gasolina que será colocada no mercado pela Petrobras.

Elizabeth Farina, presidente da UNICA também falou durante o debate, retrucando afirmações feitas por Dornelles. Ela disse que ao contrário do que ele afirmou em sua palestra, a entidade que ela representa tem apresentado sim sugestões para que o setor volte a crescer e de forma sustentável. Elizabeth Farina disse que o papel do etanol precisa ficar claro e que competir com gasolina, que tem preços subsidiados , não é viável.

     

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