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Dia de Campo sobre cana-de-açúcar no Cerrado reúne 300 pessoas em Goiás | Sifaeg

Dia de Campo sobre cana-de-açúcar no Cerrado reúne 300 pessoas em Goiás

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DSC_1964 jallesO 1º Dia de Campo da Embrapa Cerrados sobre Produção de Cana-de-açúcar no Cerrado, realizado no dia 8 de outubro, na Usina Jalles Machado (Goianésia-GO), reuniu 300 pessoas, entre produtores rurais, técnicos e profissionais do setor sucroenergético. Em cinco estações foram apresentados resultados de pesquisas sobre a correção da acidez do solo, recomendações para o manejo da adubação fosfatada e recolhimento de palha, esclarecidas dúvidas sobre a viabilidade do sistema de plantio direto e divulgadas algumas estratégias de irrigação.

Em reunião técnica, que aconteceu na tarde anterior ao Dia de Campo, o diretor-presidente da Jalles Machado, Otávio Lage Filho, agradeceu à Embrapa Cerrados pela parceria. “É uma possibilidade de aprendermos muito e juntos. A pesquisa feita aqui na Usina multiplica nossos resultados”, afirmou. O chefe-geral da Embrapa Cerrados José Roberto Peres destacou a importância de ampliar essa rede. “Fizemos uma revolução agrícola nesse país nos últimos 40 anos. Isso foi possível com a forte parceria entre o setor público e privado em algumas espécies. Com a cana-de-açúcar podemos obter os mesmos resultados. Essa reunião de hoje com as lideranças do setor é o marco zero deste novo momento”, ressaltou.

Algumas parcerias de sucesso foram citadas pelo chefe-geral da Embrapa Cerrados. Entre elas, as mantidas com as Fundações de Apoio à Pesquisa Agropecuária que permitiram a tropicalização da soja e com a Unipasto, formada por 31 empresas produtoras de sementes, para o melhoramento de forrageiras. Outro exemplo citado por Peres foi o da Rede de Fomento a ILPF (Integração lavoura-pecuária-floresta), em que seis empresas privadas aportam recursos para acelerar a transferência de tecnologias.

Em sua palestra, Peres ainda abordou as tecnologias que contribuíram para a inserção do Cerrado no processo agrícola brasileiro e as alternativas de incentivos fiscais às pessoas jurídicas que realizarem pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica. O secretário-executivo do Comitê Local de Propriedade Intelectual, Chang Wilches, apresentou algumas informações sobre a Lei 11.196/05, conhecida como a “Lei do Bem”. Com a Instrução Normativa da Receita Federal (1.187/2011), as empresas podem obter redução da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

Pesquisas – Na reunião técnica, o pesquisador Thomaz Rein frisou que as pesquisas com cana-de-açúcar desenvolvidas pela Embrapa Cerrados são focadas em sistemas de produção. O melhoramento genético é tema de pesquisas de instituições como Instituto Agronômico (IAC), Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa). Entre os participantes do evento estiveram presentes representantes dessas instituições.

Rein explicou que a expansão do setor sucroalcooleiro, com crescimento na última década de 379% da área plantada na região Centro-Oeste, passou a exigir da Embrapa o desenvolvimento de tecnologias apropriadas ao manejo da cana-de-açúcar no Cerrado.

“A região do Cerrado apresenta ambientes de produção mais restritivos ao desenvolvimento da cana-de-açúcar comparado com as regiões produtoras tradicionais em função de seus solos e fatores climáticos. Nossas pesquisas já estão contribuindo para o desenvolvimento de sistemas de produção para a região, mas ainda necessitamos aumentar a rede de experimentações”, afirmou o pesquisador.

Na opinião de Renato Ferreira da Rosa, responsável pelo planejamento e desenvolvimento técnico do Grupo Vale do Verdão, os temas pesquisados pela Embrapa Cerrados atendem à demanda do setor produtivo. “Muitos dos resultados apresentados no evento serão colocados em prática em nossas unidades. Tenho a convicção do quanto é importante estreitar a aproximação com a Embrapa e de realizarmos trabalhos em conjunto”, afirmou. Em Goiás, o Grupo Vale do Verdão tem usinas nos municípios de Itumbiara, Maurilândia e Santo Antônio da Barra.

Dia de Campo – Nas estações do Dia de Campo, os pesquisadores da Embrapa Cerrados apresentaram algumas recomendações técnicas para o cultivo da cana-de-açúcar no Cerrado. Em função das características dos solos do Cerrado (predomínio de solos ácidos e baixa fertilidade) é importante melhorar suas condições para aumentar a produtividade da cana-de-açúcar.

Para corrigir a acidez do solo, que afeta a produtividade e o crescimento das raízes da cana-de-açúcar, é necessário aplicar calcário e gesso. O pesquisador Djalma Martinhão apresentou as doses recomendadas de calcário e gesso, os ganhos de produtividade com aplicação de gesso e a margem de lucro devido ao uso de 5t/ha de gesso em seis cortes de cana. A cada R$ 1,00 investido em gesso, o retorno foi de R$ 9,15. “Já no primeiro ano, o agricultor recupera o valor investido e o ganho se prolonga nas colheitas das socas, pois o gesso apresenta longo efeito residual”, disse.

Importante resultado da experimentação com cana-de-açúcar conduzida pela Embrapa Cerrados refere-se à resposta da cultura ao modo de aplicação do fertilizante fosfatado (superfosfatos ou fosfatos de amônio) no plantio. Estes experimentos, que confirmam resultados de trabalhos realizados anteriormente por outras instituições em diferentes regiões, mostram que a tradicional aplicação de doses elevadas de fósforo no fundo do sulco de plantio não é a forma mais eficiente de uso do fertilizante fosfatado.

Em muitas situações, de acordo com o pesquisador Thomaz Rein, a aplicação exclusiva a lanço com incorporação do fertilizante fosfatado no plantio propiciou produtividades de colmos superiores, de até 16 t/ha por corte, em relação à mesma dose aplicada exclusivamente no sulco de plantio. Embora a adubação a lanço seja eficiente, a recomendação é a combinação das diferentes formas de aplicação (corretiva, sulco de plantio e soqueira) da adubação fosfatada para o cultivo tradicional da cana na região, ou seja, cana crua, de sequeiro ou apenas com irrigação de salvamento.

O pesquisador João de Deus dos Santos respondeu aos principais questionamentos sobre a adoção do sistema de plantio direto de cana-de-açúcar no Cerrado. As dúvidas estão relacionadas à produtividade, ao manejo da acidez do solo, a compactação do solo e se a mudança de preparo do solo aumentará os problemas com insetos-praga. Os resultados dos experimentos mostram que as produtividades de cana em sistemas plantio direto são pelo menos iguais quando comparadas com o preparo convencional do solo. A necessidade de corrigir a acidez do solo e a compactação do solo não são fatores impeditivos à adoção do plantio direto de cana no Cerrado.

“Assim, como ocorreu com a produção de grãos em sistemas de plantio direto no Brasil, espera-se que, na maioria das situações, com a cana-de-açúcar também seja bem-sucedido. No momento, a principal recomendação seria indicar às usinas e fornecedores de cana a sua gradual adoção. Ainda não existe uma receita pronta, sobretudo para o Cerrado, devendo prevalecer o bom senso associado às boas práticas agronômicas”, enfatizou Santos.

Manejo da palhada – Os pesquisadores Marcos Aurélio Carolino (Embrapa Cerrados) e Nilza Patrícia (Embrapa Meio Ambiente) falaram sobre os resultados de experimentos em rede desenvolvidos por cinco unidades da Embrapa, Instituto Agronômico e Universidade Estadual de Londrina sobre manejo sustentável da palhada de cana-de-açúcar.

O palhiço (ou palha), que é o resíduo da colheita da cana-de-açúcar, proporciona benefícios, como proteção do solo contra erosão hídrica, maior aporte de matéria orgânica, manutenção da temperatura do solo, diminuição da evaporação e favorecimento da retenção de água. Também tem fins diversos na indústria, entre eles a cogeração de energia elétrica.

Com base nos resultados dos experimentos, os pesquisadores não recomendam a retirada total da palha em canaviais para a produção de energia. Embora a produtividade de colmos e açúcar não tenha sido significativamente afetada nos experimentos, observou-se uma tendência de redução na produtividade de colmos de 6% e de açúcar entre 4% a 5% quando a retirada do palhiço foi total.

A recomendação é de se manter entre 7 a 8 toneladas de palhiço/ha/ano para a garantia da produtividade, manutenção da umidade e conservação do solo. Outra vantagem da manutenção do palhiço é o incremento de carbono ao solo, na forma de matéria orgânica, o que contribui para o “sequestro de carbono”, importante para mitigar emissões de Gases do Efeito Estufa.

Estratégias de irrigação – A irrigação é um fator importante para o aumento da produtividade da cana-de-açúcar no Cerrado. Com a irrigação a cana-planta atinge produtividade de colmos de até 250 t/ha e superiores a 200 t/ha para as primeiras socas, índices superiores à média da região centro-sul do país. Em termos de produtividade de açúcar, o sistema irrigado tem atingido 38 t/ha, enquanto a região centro-sul produz em média 12 t/ha.

O pesquisador Vinicius Bufon ressaltou a diferença entre evapotranspiração potencial e real e o quanto essa informação é fundamental para verificar os níveis de satisfação e déficit na demanda de água. “O plantio da cana-de-açúcar migrou para uma região com um clima quente, que tem potencial para produzir mais biomassa. Mas não adianta ter potencial, se não tiver água. É a quantidade que se oferece de água que vai dizer se a cana responde ou não à irrigação”, explicou.

Nos experimentos com cultivares precoces, médias e tardias submetidas a diferentes regimes hídricos foi possível obter as curvas de resposta de cada material à irrigação, tanto na fase cana- planta quanto nas socas. Bufon afirmou que as variedades de cana-de-açúcar disponíveis no mercado não foram melhoradas para irrigação, sendo este um ponto ainda a ser pesquisado nos programas de melhoramento genético.

Uma das medidas de manejo da irrigação é o momento adequado de sua interrupção. Para que isso ocorra de forma correta, Bufon apresentou a fórmula de cálculo, que depende do tipo do solo e do período da colheita da cana-de-açúcar. O pesquisador recomendou ainda que apenas os produtores que têm experiência com salvamento e lâmina baixa em pivô comecem o cultivo de cana-de-açúcar em área irrigada.

É justamente a pouca informação sobre irrigação para a cultura da cana-de-açúcar que preocupa Drauzio Ávila, da Usina Central Energética de Morrinhos, em Goiás. “Minha experiência foi em São Paulo. Os solos são diferentes e o que é bom lá, não se aplica no Cerrado. A nossa produção é em média de 100 t/ha em cinco cortes. Está bom, mas sei que podemos fazer ainda mais e agregar muito das informações da Embrapa”, disse.

Para o produtor rural Leomar Gomes de Oliveira as informações obtidas no Dia de Campo serão importantes para o planejamento das atividades que irá desenvolver no Mato Grosso. Ele pretende plantar cana-de-açúcar em uma área de 400 a 500 hectares com o objetivo de produzir cachaça e utilizar o bagaço para alimentação animal.

Embrapa Cerrados

 

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