Entrevista: André Rocha, Presidente do Fórum Nacional Sucroenergético  

POSSE - foto Jeronimo Castro - (189)Diversos fatos aconteceram nos últimos 8 anos nos segmentos produtivos. O que marcou o setor sucroenergético neste período?

As palavras-chave são, realmente, mudança e transformação. Houve uma mudança inclusive na prática, no cultivo e na colheita da cana, que deixou de ser crua e passou a ser mecanizada. As indústrias se aperfeiçoaram, transformaram-se em verdadeiras destilarias de cana, fazendo não só o etanol e o açúcar, mas também energia, levedura e outros produtos, como álcool industrializado. Houve ainda uma mudança de capital, ou seja, muitas famílias tradicionais saíram do setor e várias empresas multinacionais, algumas de outros setores, vieram a fazer parte, ou seja, trades, petrolíferas, construtoras.

A mudança foi também cultural?

Se no início nós enfrentávamos preconceitos ideológicos, quando se discutia a disputa entre alimentos e energia, e sobre as concepções no setor quanto ao trabalho e meio ambiente, tudo isso ao longo dos anos foi esclarecido. Por outro lado, hoje nós enfrentamos outro desafio que é a questão da sobrevivência do setor. Há oito anos, o segmento vivia um momento de plena expansão e crescimento e dava sinais que ia se perpetuar. Hoje luta para sobreviver, depois da crise econômica mundial de 2008 e de uma política desastrosa na área energética adotada pelo governo federal, sobretudo nos últimos seis anos.

Então faltou incentivo ao setor?

Acho que a palavra correta é valorização. Ela pode e deve ser feita com incentivo. O que falta por parte do governo é o reconhecimento da nossa importância e valorização do nosso setor. Quando eu falo importância, não é só a importância do combustível verde, mas da geração de emprego e renda e da interiorização do desenvolvimento. Nós estamos presentes em milhares de municípios brasileiros, praticamente quase todos eles no interior do País, temos feito uma transformação de melhoria de IDH nas regiões onde produzimos não só cana, mas industrializamos os nossos produtos. E fomentamos uma cadeia produtiva essencialmente nacional, com milhares de empresas fornecedoras, indústria de base, e infelizmente estamos todos vivendo essa crise pela falta de reconhecimento e valorização do nosso setor.

Com base nesses últimos anos, o que esperar para os próximos?

Infelizmente, o cenário é meio sombrio. Mas temos esperança em virtude do crescimento da população mundial, da melhoria de vida dessa população – consequentemente o aumento do consumo de açúcar -, e a esperança de que o mundo volte a se importar novamente com a economia verde. Nós temos esperança que o nosso setor é promissor, porém estamos na fase de uma única preocupação, que é a sobrevivência. É o dia de hoje e não o dia seguinte.

Entrevista concedida ao Canal-Jornal da Bioenergia