Fórum Sucroenergético envia carta ao Senado contra cana na Amazônia

O medo do setor é que a exploração de cana na Amazônia possa manchar a imagem do etanol e do açúcar no exterior, prejudicando as exportações; carta pede que não seja aprovado o projeto de lei do senador Flexa Ribeiro

O Fórum Nacional Sucroenergético, que reúne 16 entidades do setor canavieiro, como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), enviou nesta quarta-feira um ofício ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, solicitando que não seja aprovado o projeto de lei que prevê a autorização de cana-de-açúcar em áreas degradadas da Amazônia.

O medo do setor é que a exploração de cana na Amazônia possa manchar a imagem do etanol e do açúcar no exterior, prejudicando as exportações. A proposta está em projeto de lei do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e chegou a entrar em pauta na semana passada e no começo desta, mas acabou adiada a sua análise para a semana que vem.

A mensagem, que já tinha sido dada em um posicionamento da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – grupo que reúne o setor produtivo e organizações ambientalistas –, e foi endossado pela Unica, agora ganha um tom oficial do setor.

“A entidade defende o cumprimento do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar, estabelecido em 2009 por decreto, e cuja orientação tem garantido o reconhecimento da sustentabilidade da indústria sucroenergética no Brasil e no exterior”, disse a Unica em seu site. Essa também foi a posição da carta enviada a Eunício.

“Esse comprometimento, desde então, tem sido atestado pelo governo americano por meio do seu programa de biocombustível Renewable Fuel Standard (RFS) e pela União Europeia, além de certificações internacionais, como Bonsucro. Estas conquistas são fundamentais para preservação do acesso dos derivados da cana aos principais mercados internacionais, colaborando, deste modo, para o desenvolvimento econômico e socioambiental do Brasil”, continua a Unica.

A entidade lembra que o zoneamento estabeleceu que 64 milhões de hectares no País estariam aptos à expansão do cultivo com cana-de-açúcar – excluindo a possibilidade de plantio em áreas sensíveis, como a Amazônia e o Pantanal.

Hoje, somente 10 milhões são ocupados pela cana. “Ainda assim, se produz 28 bilhões de litros de etanol, 38 milhões de toneladas de açúcar e 21 TWh de bioeletricidade. Portanto, a expansão da produção pode ser feita expandindo área e ou elevando a produtividade em harmonia com o meio ambiente”, defende. Esse dado também foi destacado no ofício a Eunício.

O Estado de S. Paulo