Inovação – Plantio da cana-de-açúcar

CanaCanaUm novo conceito na forma de multiplicação rápida da cana-de-açúcar, principalmente em viveiros para uso no plantio de canaviais, tem chamado a atenção de produtores rurais e empresários do setor sucroenergético. Trata-se do sistema de Mudas Pré-Brotada (MPB), desenvolvido pelo Instituto Agronômico (IAC), em Ribeirão Preto (SP). Com a novidade, saí de cena o tradicional e usual tolete (colmo semente) e entra na história mudas já prontas, que são cultivadas por um período de 60 dias até ir para o campo.

Essa tecnologia, que já está acessível ao produtor, ajuda a reduzir o consumo de mudas, gera uniformidade no plantio, qualifica o processo de produção nos canaviais e contribui para um salto na qualidade fitossanitária das mudas. A nova tecnologia desenvolvida pelo Programa Cana do IAC é direcionada a aumentar a eficiência e os ganhos econômicos na implantação de viveiros, replantio de áreas comerciais e possivelmente renovação e expansão de áreas de cana-de-açúcar.

A equipe do IAC trabalhou por três anos nos experimentos e o sistema MPB completou, em novembro de 2013, um ano de lançamento. Alguns produtores já têm experimentado a tecnologia em busca de conquistar mais vigor no plantio e maior produtividade. É um método simples que pode ser adotado por pequenos produtores e associações, não ficando restrito às usinas.

Segundo o pesquisador do IAC, Mauro Alexandre Xavier, uma das vantagens do sistema está na redução da quantidade de colmo e mudas para plantio da cana. Ele destaca que hoje, no plantio mecanizado de cana-de-açúcar da forma tradicional, são utilizados, aproximadamente, de 16 a 18 toneladas do chamado colmo semente para plantar um hectare. Por meio do MPB, são usadas apenas duas toneladas por hectare. Outro exemplo é que em um metro são usados 10 toletes, enquanto no sistema MPB são necessárias apenas três mudas. “Além disso, os canaviais apresentam menos falhas com esse sistema e a possibilidade de não brotar é zero, pois as mudas já estão prontas, o que reflete em produtividade. É possível explorar uma distribuição espacial mais uniforme e adequada”, reforça.

Mauro acrescenta que a partir do momento que se tem a muda, o produtor pode estabelecer distâncias entre as plantas no momento do plantio, o que não é possível a partir da gema. “Com a redução do número de colmos e mudas, o produtor pode ainda aproveitar as canas, que seriam usadas para retirar as gemas, de forma comercial, aumentando a produção”, destaca.

 Processos

A tecnologia do MPB permite mudar a forma de produção de mudas. No lugar dos colmos como sementes, entram as mudas pré- brotadas, que são produzidas a partir de cortes de canas, chamados minirrebolos – onde estão as gemas. Depois passam por uma seleção visual e são tratados com fungicida. São colocados em caixas de brotação com temperatura e umidade controlada e, ao final, colocadas em tubetes que passam por duas fases de aclimatação. O ciclo completo leva 60 dias. Logo depois do plantio, é possível perceber o potencial de perfilhar das mudas, ou seja, já passam a fazer acúmulo de biomassa.

O MPB permite alcançar aumento de eficiência e ganho econômico na implantação de viveiros, replantio de áreas comerciais e expansão e renovação de áreas plantadas de cana-de- açúcar. Entretanto, para a implantação do sistema em grande escala é necessário o esforço e cooperação entre instituições de pesquisa de melhoramento genético, fitotecnia e mecanização para a plena viabilização do plantio em área comercial. “Penso que deveria haver um esforço na formação de uma grande rede de experimentação que possa desenvolver um pacote fitotécnico que gere sustentabilidade para esse novo método de plantio de cana-de-açúcar”, considera.

 Matéria publicada no Canal-Jornal da Bioenergia

Deixe um comentário