Otimismo com o futuro do setor sucroenergético marcou o 14º Seminário de Produtividade & Redução de Custos

Nos dias 2 e 3 de dezembro, Ribeirão Preto sediou o 14º Seminário de Produtividade & Redução de Custos na Agroindústria Canavieira. O evento, que encerrou a programação de seis seminários do Grupo IDEA em 2015, não apenas trouxe tecnologias e novos modelos de gestão voltados ao aumento de produtividade e à redução de custos. Alguns especialistas que palestraram no seminário apresentaram sinais claros de que a recuperação do setor sucroenergético brasileiro está em curso, depois de sete anos seguidos de crise.

“Vimos que o setor está superando os problemas que enfrentou nos últimos anos por causa do governo para buscar uma nova fase, marcada por bons preços do açúcar e do etanol e por expectativa de crescimento”, diz Dib Nunes, diretor do Grupo IDEA.

Segundo ele, a agroindústria canavieira entra numa fase positiva, o que ganhará mais corpo em 2016, apesar das dificuldades políticas e econômicas enfrentadas pelo país. “Os empresários do setor estão otimistas. E já vemos que o fornecedor de cana também está sendo contagiado por esse otimismo. Se a situação fica melhor para a usina, também melhora para o produtor de cana”, sublinha Dib, destacando que os demais players da cadeia da cana-de-açúcar também deverão ser beneficiados pela melhoria do cenário, como fornecedores de insumos, serviços, máquinas e equipamentos.

OLHOS PARA 2016

No Seminário de Produtividade & Redução de Custos, os mais de 350 participantes tiveram uma análise ampla do setor sucroenergético, a partir de palestras variadas. Marcos Fava Neves, professor da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) e consultor da Markestrat, apresentou “Cenários para o setor sucroenergético”. Segundo ele, esta mudança de cenário para o setor já foi inclusive percebida pelos negócios realizados na Bolsa de Valores. “As ações das empresas listadas tiveram seus papéis valorizados em 20%.”

Já Eduardo Costa Carvalho, da Sucden, falou sobre o que se pode esperar para 2016 quanto aos mercados de açúcar e etanol. A expectativa, segundo ele, é que haja um déficit no mercado global de açúcar, depois de cinco anos de superávit, o que trará pressão altista sobre os preços da commodity.

Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), apresentou uma análise da safra 2015/16 e fez projeções para o próximo ciclo. De acordo com ele, no Centro-Sul a disponibilidade de cana estimada para a próxima safra está próxima à verificada neste ano (entre 630 e 640 milhões de toneladas). “A grande dúvida é se as unidades do Centro-Sul terão capacidade instalada para processar a grande quantidade de matéria-prima disponível.”

Já o comportamento dos custos na safra 2015/16, em comparação com os últimos anos, foi analisado por Francisco Oscar Louro Fernandes, da Sucrotec. De acordo com ele, a pressão sobre os custos de produção arrefeceram na safra atual. Para ele, a perspectiva do ciclo 2016/17 é bastante positiva para as empresas que conseguirem equacionar as dificuldades de fluxo de caixa e de capital de giro, problemas que permanecerão na entressafra que se aproxima. “Teremos boa disponibilidade de matéria-prima e preços mais remuneradores para o próximo ano, mas o desafio de conter os custos de produção permanecerá, já que a alta inflação é uma ameaça real na situação atual da economia brasileira.”

TECNOLOGIAS

Os participantes do seminário também tiveram um desfile de palestras de alto nível voltadas à apresentação de novas tecnologias e de soluções para o aumento de produtividade e redução de custos, realizadas por empresas, consultores e por usinas.

Uma das apresentações mais comentadas foi proferida por Dib Nunes, que falou sobre “Onde buscar as 100 t/ha e os 140 kg/t de ATR”. Para atingir esse objetivo, “será que usinas e produtores estão fazendo a sua parte?”, indagou Dib. Segundo ele, a atividade canavieira está numa fase de transição, com mudanças marcantes, e que têm impedido as empresas de produzirem na sua máxima potencialidade. “Isso ocorre porque temos problemas no sistema produtivo, sendo que as principais dificuldades estão na mecanização. Vemos que não é todo mundo que está conseguindo usar bem as máquinas para plantar ou colher.”

O Seminário também foi palco para a premiação do Desafio CanaMáxima, promovido pela Basf e pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) – iniciativa que comprovou que, utilizando tecnologia de ponta e aplicando as melhores práticas agrícolas, é possível elevar a produtividade substancialmente. As usinas campeãs do Desafio foram as seguintes:

– Categoria solos desfavoráveis: Umoe Bioenergia (campeã) e Delta Sucroenergia – Unidade Volta Grande (vice-campeã);

– Categoria solos favoráveis: Raízen – Unidade Jataí (campeã) e Araporã Bioenergia (vice-campeã).

A avaliação dos participantes do seminário foi muito positiva. “É muito oportuno participar de um evento como esse. As palestras e os palestrantes foram definidos muito bem”, disse Sidinei Augusto Colombo, diretor Agrícola do Grupo Colombo.  “Hoje podemos estar num momento de esperança e otimismo, mas precisamos nos manter sempre correndo atrás dos custos, que é o maior problema do nosso setor. Só assim vamos nos manter saudáveis no negócio e aproveitar esse período de preços bons”, salientou Sidinei.

O 14º Seminário de Produtividade & Redução de Custos concluiu as comemorações de 20 anos do Grupo IDEA. “Encerramos esse ano comemorativo com chave de ouro, mas isso só foi possível graças à dedicação da minha equipe, que dá sustentação à realização dos seis eventos que realizamos ao longo do ano.” O próximo evento do Grupo IDEA será o 18º. Seminário de Mecanização & Produção de Cana-de-açúcar, que acontece em março de 2016. “Em breve, divulgaremos a agenda completa dos eventos do próximo ano”, conclui Dib.

Assessoria de imprensa