Palestra André Rocha em Londres

André Rocha em Londres

André Rocha em Londres

O presente e futuro do açúcar e etanol brasileiro foram discutidos em Londres durante o 2nd Sugar & Ethanol Summit – Brazil Day. Organizado em conjunto pela Datagro e o Ministério das Relações Exteriores, através da Rebraslon (Representação Permanente do Brasil junto aos Organismos Internacionais sediados em Londres), o evento contou com 176 participantes de 22 países. Entre os especialistas estava o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha.

Segundo o presidente da Datagro, Plínio Nastari, a participação de André Rocha com o painel sobre como as recentes crises mudaram o setor, e como o Estado de Goiás tem se destacado na expansão da capacidade industrial e na moagem de cana foi um dos pontos altos do evento.

Para André Rocha Goiás é um “ponto fora da curva” nesse cenário de crise mundial. “Apesar do momento econômico, crescemos acima da média nacional em vários setores produtivos, graças ao bom acesso das entidades empresariais ao governo estadual. Nosso Estado tem desempenho melhor do que as demais unidades da federação na produção de etanol e açúcar. Tivemos aumento expressivo de usinas nos últimos dez anos, com destaques para os investimentos da BP e da Raízen(Shell/Cosan)”, elucida.

O encontro

As discussões em Londres confirmaram que embora o mercado mundial de açúcar passe pelo terceiro ano consecutivo de excedentes, a demanda continua crescendo rapidamente, e deve passar, até 2020, dos atuais 166 para 201 milhões de toneladas de açúcar, e de 95 para 167 bilhões de litros de etanol. Esse aumento na demanda do açúcar deverá ocorrer principalmente nos países da Ásia, já do etanol nos EUA e no Brasil.

Na Europa, há discussões em curso sobre o impacto do uso indireto da terra e a capacidade de substituir gases do efeito estufa por biocombustíveis produzidos de diferentes fontes de biomassa. Também é debatida a demanda por etanol, que deverá expandir consideravelmente para atender os objetivos definidos pela Comissão e o Parlamento Europeu.

No Brasil

Embora uma parte do setor sucroenergético ainda esteja apresentando um nível razoável de endividamento, ações positivas do Governo Federal, como a retomada da mistura padrão de 25% de anidro na gasolina, e linhas de crédito para renovação de canaviais e investimentos em mecanização, inovação e novas tecnologias, permitiram uma rápida recuperação da produção no Brasil.

Apesar dos atuais baixos preços internacionais do açúcar e da política de preços da gasolina, que mantém artificialmente baixo o preço da gasolina nas bombas, a indústria não parou de investir pesadamente na renovação de canaviais, com a utilização de variedades mais modernas e produtivas, na mecanização do plantio e colheita, em logística de transporte e na infraestrutura portuária e dutoviária.

As exportações de açúcar e etanol e o valor da gasolina importada substituída pelo etanol permitem um impacto positivo de 26,5 bilhões de dólares na balança comercial brasileira em 2012, e de 12,1 bilhões de dólares apenas nos primeiros seis meses de 2013. A economia de divisas com substituição de gasolina pelo etanol desde 1975 monta a 279,6 bilhões de dólares, o que equivale a 75% das atuais reservas de divisas do País.

Embora o Brasil esteja gastando R$ 1,7 por litro de gasolina importada (US$ 0,797/litro em 2012, e US$ 0,751/litro em 2013), o etanol é atualmente vendido no Brasil a R$ 1,32 por litro de etanol anidro e R$ 1,12 por litro de etanol hidratado. A internalização nos preços das vantagens ambientais e de promoção de desenvolvimento econômico descentralizado e sustentado do etanol devem fazer com que o produto se valorize no futuro.

Caso os preços internos e externos reflitam o cenário de excesso de demanda projetado para o futuro, o setor poderá voltar a expandir novamente sua capacidade de moagem, para continuar atendendo o desafio de suprir a demanda mundial crescente por açúcar e etanol.