Produção de etanol de milho é realidade

Joao_Marcelo_Occhiucci_-Palestra_Etanol_de_Milho_(Samir_Machado)_(4)Segundo estimativas da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o Brasil precisará de 100 novas usinas de etanol até 2020 para atender a demanda que surgirá pelo combustível renovável. Atualmente, a cana-de-açúcar é a principal matéria prima utilizada para a produção de etanol nas regiões brasileiras. Mas, nos últimos anos, têm surgido pesquisas e aplicações em campo para a produção de etanol a partir de outras fontes, caso do etanol de segunda geração.

 Uma das opções que começa a chamar a atenção do mercado é a produção do combustível a partir do milho. Essa prática já é bastante utilizada nos Estados Unidos (onde quase não se produz etanol a partir da cana) e vem conquistando entusiastas no País. Isso porque dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que a oferta de milho no Brasil é bem superior ao consumo interno, que no ano passado representou 66,7% da produção. Com excesso de produto, é preciso buscar soluções para aproveitar os grãos, que sejam lucrativas aos produtores e fonte de geração de divisas e até de empregos.

A possibilidade do milho alcançar essa viabilidade econômica como fonte de matéria para a produção de etanol foi tema de palestra ministrada durante e Tecnoshow Comigo, no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), em Rio Verde (GO). Com o foco ‘Etanol de milho no Brasil: oportunidades, tecnologia e desafios’, o assunto foi apresentado por profissionais e pesquisadores que atuam no setor há vários anos – João Occhiucci, representante de vendas da Divisão de Biociências Industriais para a DuPont América Latina; João Bortolussi Rodrigues, consultor da JRB Suporte Técnico; e Cássio Bellintani Iplinsky, diretor da Usina Rio Verde Ltda.

 Vantagens e comparativos

 Segundo João Bortolussi, o milho surge como forte opção para produção de etanol no Brasil, pois oferece características e particularidades que vão ajudar a atender às demandas do mercado no período de entressafra da cana-de-açúcar. “Hoje, algumas usinas estão com sérios problemas e dificuldades de produção e a cana também possui restrições para poder alcançar um patamar maior de produtividade. Além disso, no período de entressafra, ocorre a ociosidade das indústrias sucroenergéticas, que não possuem matéria prima para moagem”, ressalta. Outro problema listado pelo consultor é que a cana precisa ser processada de imediato para a produção de etanol – para não perder as taxas de açúcares, a qualidade, etc -, enquanto o milho pode ficar mais tempo armazenado para ser feita a conversão.

 Bortolussi informa que o desafio atual é levar esse conhecimento ao produtor e mostrar que é seguro investir na produção de etanol a partir do milho. Uma das possibilidades para iniciar nesse segmento é trabalhar a produção de forma integrada, ou seja, utilizando a cana-de-açúcar e o milho como fontes de matéria prima. “O processo de forma simultânea representa custo de investimento mais baixo, retorno mais rápido, isso porque o milho produz o ano todo, na safra e safrinha. Além disso, terminando o ciclo da cana, começa o do milho, e os equipamentos utilizados na moagem são parecidos e podem ser aproveitados para as diferentes culturas”, destaca.

 Em Rio Verde uma usina vai iniciar a produção de etanol a partir do milho ainda neste ano, por meio do Projeto Integrar. Localizada na Região Sudoeste do Estado, a cidade é conhecida nacionalmente por ser uma das principais produtoras de grãos, em especial de milho. Com oferta de matéria prima, a Usina Rio Verde Ltda., que já opera na produção do combustível renovável, irá trabalhar de forma integrada a produção de etanol a partir das duas culturas – cana e milho.

 “O desafio será fazer a integração dos processos, já que são caldeiras e matérias primas distintas. Entretanto, estamos utilizando exemplo dos Estados Unidos”, afirma Cássio Bellintani Iplinsky, diretor da Usina Rio Verde Ltda. Ele acrescenta que a proposta é minimizar a ociosidade industrial, incrementar a produção de etanol, reduzir custos de operação e agregar valor à produção na região. Além de Rio Verde, que vai iniciar a operação em 2014, outras duas unidades no Mato Grosso já produzem etanol a partir de milho no Brasil.

 Tornar viável

Para o representante de vendas da Divisão de Biociências Industriais para a DuPont América Latina, João Occhiucci, ampliar a produção de etanol a partir de milho depende do envolvimento de muitos grupos: os produtores de milho, os usineiros (responsáveis pela produção de etanol) e grandes grupos sucroalcooleiros, que precisam se estabelecer nas novas fronteiras de produção de cana e que podem contar com a ajuda adicional do milho como matéria-prima. “O mercado está apresentando a estes grupos as oportunidades do etanol de milho e as alternativas de investimento com segurança e menos risco. Além disso, setores específicos do governo também precisam ser convencidos sobre as oportunidades com esta alternativa, viabilizando crédito para o setor. Outro grupo importante é a cadeia consumidora de milho, para a qual o mercado precisa apresentar os benefícios da produção a partir do milho e o valor agregado que ela traz, principalmente para a indústria de ração por meio do DDGS”.

 Ele explica que o DDGS é um composto de valor altamente nutritivo e com grande concentração de proteínas, ideal para nutrição animal. Considerando a produção como um todo, o milho reduz a instabilidade da produção que é observada no mercado de cana-de-açúcar, onde fatores climáticos podem interferir enormemente no resultado desse processamento. “Com milho, o processo se torna mais produtivo e a boa noticia é que ele pode agregar esta previsibilidade às atuais usinas de cana, trazendo um equilíbrio entre as duas fontes de matéria-prima”, afirma.

 Fonte: MAC Assessoria de Imprensa

   

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