Usinas sucroenergéticas ampliam investimentos em ações sociais e preservação ambiental

 usina JALLES

 O conceito do termo responsabilidade social é muito abrangente. Mas, de forma geral, pode-se afirmar que é quando as empresas decidem, voluntariamente, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo. No setor sucroenergético o conceito é o mesmo e é aplicado por muitas usinas em todo o País. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a responsabilidade social representa todas as ações, atividades e aperfeiçoamentos das condutas sociais, ambientais, de direitos humanos e com o rastreamento dos produtos da área.

As usinas têm praticado este conceito. Segundo a gerente de Responsabilidade Social Corporativa da Unica, Maria Luiza Barbosa, o setor sucroenergético é referência na questão no agronegócio. “Monitoramos nossos indicadores socioambientais e, assim, orientamos nossos associados e colaboradores, emitimos anualmente balanços sociais e relatório de sustentabilidade”, explica.

Os primeiros estudos que tratam da responsabilidade social tiveram início nos Estados Unidos, na década de 50, e na Europa, nos anos 60. Mas, no Brasil, apenas nos anos 70 foram iniciados os estudos sobre o tema. No setor sucroenergético a preocupação começou em 2002, com o monitoramento dos indicadores socioambientais das usinas associadas. “Publicamos relatórios internacionais de sustentabilidade em 2008 e 2010”, ressalta.

O Relatório de Sustentabilidade da Unica tem como base os parâmetros da Global Reporting Initiative (GRI), entidade reconhecida mundialmente como detentora dos parâmetros mais completos e respeitados para esse tipo de relatório. “Com dados compilados das nossas 130 empresas associadas fomos classificados com a nota A+. Além de ser a nota máxima, somos a primeira associação no mundo a publicar um relatório nos moldes do GRI”, informa a gerente da Unica.

Nos relatórios de sustentabilidade das usinas são descritos os desafios, as conquistas e os compromissos com as comunidades nas quais estão inseridas. O documento também apresenta aos seus stekholders a situação que se encontram nas áreas socioambientais, de direitos humanos, cuidados e rastreamento com os produto. E se comprometem, por meio da publicação, com as metas futuras. “Isto demonstra o compromisso e a transparência que o setor tem com o seu negócio, seus parceiros, clientes, fornecedores, com o País e, principalmente, com seus colaboradores”, complementa a gerente.

Iniciativa

Para a Unica a responsabilidade social está acima das obrigações fiscais e legais. Mas Maria Luiza destaca que, em muitos aspectos, as iniciativas sociais se cruzam com os compromissos. “Nestes últimos anos, cada vez mais as cobranças fiscais e legais se tornaram mais exigentes. Mas muitos outros fatores motivaram nossos empresários do setor a continuar seguindo e aprimorando suas empresas”, afirma.

Para a gerente da Unica, todo este trabalho desenvolvido tem o empenho e o esforço de todos os colaboradores das usinas associadas. “Mas, sem dúvida, o apoio irrestrito dos associados e da diretoria colaborou para chegarmos a este patamar.” Ela complementa, também, que exigências nacionais e internacionais de mercado para que as empresas se adequem cada vez mais foi outro fator para a adequação.

Exemplos

A Jalles Machado, em Goianésia (GO), investe, anualmente, 2% do orçamento bruto em ações sociais com os funcionários e as famílias. O diretor-presidente da empresa, Otávio Lage de Siqueira Filho, afirma que o investimento no principal patrimônio da empresa – os colaboradores – é de aproximadamente R$ 10 milhões.

Na área educacional, a Fundação Jalles Machado é mantenedora da Escola Luiz César de Siqueira Melo. Na saúde, os colaboradores e familiares têm acesso a plano de saúde, dentista, ambulatório médico com ambulância e farmácia com ajuda de custo – a empresa arca com 30% do valor do medicamento.

O lazer também é foco na Jalles Machado. Os funcionários e familiares têm acesso à Associação Esportiva Jalles Machado. Com uma contribuição mensal simbólica, eles podem usufruir das piscinas, saunas, salão de festas, quadras poliesportivas, bosques para passeios e campos de futebol, além de participar de eventos culturais e torneios esportivos. Para os fins de semana, os funcionários e dependentes podem se divertir no clube da empresa localizado no lago de Serra da Mesa.

Segundo Otávio Lage de Siqueira Filho, o objetivo dessas ações é permitir que o funcionário trabalhe mais tranquilo e satisfeito. Além das ações diretas, a Jalles Machado auxilia a comunidade com contribuições pontuais. “Ajudamos nas creches e festas tradicionais da cidade. Sempre interagimos com os nossos 4300 funcionários diretos e com a população,” ressalta.

As Usinas Batatais e Lins, situadas no interior de São Paulo, também compartilham seu desenvolvimento investindo na comunidade. Para os filhos dos funcionários, entre oito e 16 anos, existe a escolinha de futebol. Os profissionais da usina também podem pleitear bolsas de estudos em universidades.

As usinas desenvolvem outras ações em diversas organizações assistenciais e de saúde e auxiliam, mensalmente, algumas instituições. A Usina Batatais, localizada no município de Batatais (SP), por exemplo, ajuda entidades que atendem crianças, idosos e dependentes químicos. Na lista estão a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), o Lar São Vicente de Paulo, a Associação Batataense dos Deficientes físicos (Abadef), a Associação Comunidade Auxiliadora Recuperando Vidas (Comarev), Casa de Assistência Espiritualista Francisco de Assis (Caefa), a Fundação Lazzarini, a Comunidade Missionária Divina Misericórdia, Cantinho do Futuro, Associação dos Amigos dos Idosos Amor e União.

Em Lins, as ações são desenvolvidas na APAE local, no Postinho de Alimentação e no Núcleo Educativo “Garotos do Bairro”. Para estas entidades, os recursos das Usinas são destinados à manutenção do trabalho já realizado e também a projetos especiais.

“O respeito às pessoas e ao meio ambiente são alguns dos principais valores das Usinas Batatais e Lins. Objetivando a prosperidade dos negócios, procuramos direcionar nossas ações de forma a contribuir para uma vida melhor das pessoas que, de forma direta ou indireta, participam da nossa atividade”, afirma o diretor administrativo da usina, Renato Fantacini.

Outro grupo que segue os parâmetros da responsabilidade social é o São Martinho. Na área esportiva, por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, a Usina São Martinho, em parceria com Prefeitura Municipal de Pradópolis (SP), atende cerca de 150 alunos, de 7 a 18 anos da rede municipal e estadual de ensino. Na área educacional, aproximadamente 544 adolescentes recebem capacitação em inglês. O Grupo também participa de ações pontuais com as comunidades em que estão inseridas, como Campanha do Agasalho, Natal sem Fome e outras.

 Social x ambiental

 As ações sociais, em muitos casos, são ligadas à causa ambiental e se misturam. “Muitos fatores ambientais estão ligados diretamente a fatores sociais e de qualidade de vida”, explica Maria Luiza Barbosa.

Essa miscigenação é vista no Projeto “Semeando o Futuro,” do Grupo São Martinho. A ação ensina educação ambiental e cidadania a 36 estudantes com idade entre 14 e 17 anos, em Guatapará (SP).

O projeto de reflorestamento das Usinas Batatais e Lins completou, até o início de 2012, o plantio de 1,6 milhão de mudas. Com incentivo ao desenvolvimento socioeconômico e proteção dos recursos naturais, o programa prevê o plantio, até 2016, de quase três milhões de mudas de árvores em nascentes e margens de rios, em fazendas que a empresa utiliza para plantio.

A Jalles Machado também desenvolve ações na área ambiental. Em Cavalcante (GO), a empresa mantém uma área de 17.210,68 hectares, para suprir a necessidade de Reserva Legal.

Em resumo, uma empresa preocupada com a responsabilidade social deve ser socialmente justa, culturalmente aceita, economicamente viável e ecologicamente correta.

 Canal-Jornal da Bioenergia

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